Boletim Focus 05/12/2025: Inflação Cai, Selic e Câmbio segue estável.

O que o último Boletim Focus Projeta para o Brasil

O Boletim Focus de 15 de dezembro de 2025 reforça um cenário de transição para a economia brasileira. Em 2025, a inflação segue acima da meta, enquanto o PIB avança modestamente. O câmbio mantém estabilidade, e a Selic permanece elevada, com cortes esperados apenas a partir de 2026. O IGP-M acompanha a trajetória do IPCA, com desaceleração gradual. Para os anos seguintes, as projeções sugerem uma convergência mais clara às metas de inflação e uma recuperação econômica lenta, porém sustentável, desde que os desafios fiscais e externos sejam equacionados.


IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo)

O IPCA, índice oficial que mede a inflação no Brasil, apresenta projeções relevantes para os anos de 2025 e 2026. Para 2025, a expectativa é de uma variação de 4,95%, um recuo em relação à previsão anterior de 4,97%, conforme indicado por ▼(1). Esse comportamento reflete pressões inflacionárias ainda presentes na economia, especialmente nos preços administrados, cuja variação projetada para 2025 caiu para 4,90%, um recuo em relação à previsão anterior de 4,92%, conforme indicado por ▼(1). Já para 2026, a expectativa é de estabilidade, com o IPCA projetado em 4,41%, uma redução em relação à previsão anterior de 4,43%, conforme indicado por ▼(1). Nos meses iniciais de 2025, as projeções mensais mostram moderação, com variações de 0,40% em dezembro e 0,36% em janeiro. A inflação acumulada nos últimos 12 meses apresenta sinais de desaceleração, caindo de 4,97% para 4,95% até fevereiro de 2026.


PIB (Produto Interno Bruto)

As projeções para o PIB brasileiro indicam um crescimento positivo para os próximos anos. Para 2025, a mediana das expectativas aponta para um crescimento de 2,00% em relação ao ano anterior, sem alterações significativas em relação à previsão anterior, conforme indicado por (1). Esse cenário sugere uma leve melhora na atividade econômica, influenciada por políticas fiscais mais equilibradas e uma demanda interna mais resiliente. Para 2026, a expectativa é de um crescimento ainda mais robusto, com o PIB variando 1,70% sobre o ano anterior, um aumento em relação à previsão anterior de 1,61%, conforme indicado por ▲(1). Nos anos seguintes, as projeções indicam uma recuperação gradual, mas ainda insuficiente para retornar a patamares mais robustos de expansão econômica, com variações projetadas de 2,00% tanto para 2027 quanto para 2028.


Câmbio (R$/US$)

O mercado projeta estabilidade no câmbio para os próximos anos. Para 2025, a taxa de câmbio é esperada em R$ 5,90 por dólar, refletindo leve valorização do real em relação à previsão anterior de R$ 5,95, conforme indicado por ▼(1). Para 2026, a expectativa é de estabilidade em R$ 5,90 por dólar, com tendência de equilíbrio entre oferta e demanda por moeda estrangeira. No curto prazo, a projeção para dezembro de 2025 indica uma taxa de R$ 5,85, com tendência de estabilidade nos meses subsequentes.


Selic (Taxa Básica de Juros)

A Selic, principal instrumento de política monetária do Banco Central, permanece em níveis elevados para conter as pressões inflacionárias. Para 2025, a mediana das expectativas indica que a Selic permanecerá em 15,00% ao ano, sem alterações significativas nas últimas semanas, conforme indicado por (18). Para 2026, a expectativa de corte gradual segue em 12,50% ao ano, com perspectiva de redução para 10,00% até 2028. Nos meses iniciais de 2025, a Selic mantém-se estável em 14,75% ao ano, sem alterações nas últimas semanas.


IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado)

O IGP-M, amplamente utilizado no reajuste de contratos, também apresenta projeções relevantes. Para 2025, a expectativa é de uma variação de 4,80%, um recuo em relação à previsão anterior de 4,82%, conforme indicado por ▼(1). Para 2026, a projeção é de estabilidade, com o índice variando 4,64%, um aumento em relação à previsão anterior de 4,66%, conforme indicado por ▲(1). Nos meses iniciais de 2025, as projeções mensais mostram estabilidade, com variações de 0,02% em dezembro e 0,31% em janeiro. A inflação acumulada nos últimos 12 meses também apresenta sinais de moderação, com uma alta de 5,15% para 5,18% até fevereiro de 2026.


Resultado Nominal (% do PIB)

O resultado nominal do governo federal, expresso como percentual do PIB, também foi atualizado. Para 2025, a expectativa é de um déficit de -8,50% do PIB, uma queda em relação à previsão anterior de -8,45%, conforme indicado por ▼(1). Para 2026, a projeção é de um déficit menor, com -8,40% do PIB, um aumento em relação à previsão anterior de -8,45%, conforme indicado por ▲(1). Esses números refletem esforços contínuos para controlar as despesas públicas e melhorar a sustentabilidade fiscal.


Conclusão

Essa análise detalhada dos principais indicadores econômicos revela um cenário de ajustes graduais, com desafios no curto prazo, mas perspectivas de estabilização nos anos seguintes. Apesar das pressões inflacionárias e do crescimento econômico modesto, as projeções para 2026 e anos subsequentes sinalizam moderação da inflação e redução gradual da Selic, sugerindo um horizonte de maior estabilidade. O equilíbrio cambial e a convergência do IGP-M ao IPCA reforçam a expectativa de normalização dos indicadores econômicos. Além disso, o resultado nominal do governo mostra avanços na gestão fiscal, embora ainda haja espaço para melhorias significativas.


Mais detalhes sobre o Boletim Focus

IPCA – Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo

O comportamento das expectativas inflacionárias revela um cenário de gradual arrefecimento ao longo do horizonte de projeção, embora com níveis ainda preocupantes no curto prazo. Para o ano de 2025, a mediana das expectativas situa-se em 4,36%, apresentando uma trajetória de queda nas últimas semanas, conforme evidenciado pela redução de 4,46% há quatro semanas para o patamar atual. Este movimento descendente, que se mantém há cinco semanas consecutivas, foi capturado por 151 respondentes nos últimos trinta dias, demonstrando um consenso relativamente amplo entre os analistas de mercado.

A análise mensal detalhada para o final de 2025 e início de 2026 oferece insights importantes sobre a dinâmica inflacionária esperada. Para dezembro de 2025, a expectativa mediana aponta para uma variação de 0,42%, valor que vem apresentando redução nas últimas duas semanas. Esta tendência de queda se mantém para janeiro de 2026, com projeção de 0,40%, e para fevereiro de 2026, com expectativa de 0,54%. Particularmente relevante é a projeção de inflação acumulada em doze meses suavizada, que se situa em 4,04%, também em trajetória descendente há duas semanas, sinalizando uma possível moderação do ritmo inflacionário.

Olhando para o médio prazo, as projeções para 2026 indicam um IPCA de 4,10%, mantendo-se estável na última semana após quatro semanas de quedas consecutivas. Este patamar, embora inferior ao de 2025, ainda permanece acima do teto da meta de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional. Para 2027, as expectativas apontam para 3,80%, valor que se mantém estável há seis semanas, com 131 respondentes contribuindo para esta projeção. Finalmente, para 2028, a mediana permanece em 3,50%, também estável há seis semanas, com 116 respondentes, sugerindo uma convergência gradual em direção ao centro da meta de inflação no longo prazo.

PIB – Produto Interno Bruto

As expectativas para o crescimento econômico brasileiro apresentam um cenário de desaceleração progressiva ao longo dos próximos anos, refletindo tanto fatores domésticos quanto o ambiente econômico global. Para 2025, a mediana das projeções indica um crescimento de 2,25% em relação ao ano anterior, mantendo-se estável na última semana após uma semana de alta. Este desempenho, capturado por 118 respondentes nos últimos trinta dias, representa um resultado relativamente robusto quando comparado às economias desenvolvidas, embora ainda aquém do potencial de crescimento necessário para reduzir significativamente as desigualdades sociais e elevar o padrão de vida da população.

A trajetória esperada para os anos subsequentes revela uma moderação no ritmo de expansão da atividade econômica. Para 2026, as projeções apontam para um crescimento de 1,80%, valor que se mantém estável há uma semana, com 116 respondentes contribuindo para esta estimativa. Esta desaceleração em relação a 2025 pode estar associada a diversos fatores, incluindo o aperto monetário em curso, a normalização do ciclo de crédito e possíveis restrições fiscais.

Para 2027, a expectativa mediana indica um crescimento de 1,83%, apresentando uma leve queda na última semana após uma semana de estabilidade, conforme reportado por 87 respondentes. Este patamar sugere uma estabilização do ritmo de crescimento em níveis moderados. Já para 2028, as projeções mantêm-se em 2,00%, estáveis há impressionantes noventa e duas semanas consecutivas, com 84 respondentes, indicando uma visão consolidada do mercado sobre o potencial de crescimento de longo prazo da economia brasileira.

Câmbio – Taxa de Câmbio Real/Dólar

As expectativas cambiais revelam uma notável estabilidade nas projeções do mercado, com a mediana para a taxa de câmbio mantendo-se consistentemente em 5,40 reais por dólar americano para 2025. Este valor permanece inalterado há quatro semanas, conforme indicado por 122 respondentes nos últimos trinta dias. A estabilidade desta projeção sugere que o mercado já incorporou em suas expectativas os principais fatores que influenciam a taxa de câmbio, incluindo o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos, os fluxos de capitais e as perspectivas para o balanço de pagamentos.

Para os anos de 2026, 2027 e 2028, as projeções convergem uniformemente para 5,50 reais por dólar, evidenciando uma expectativa de ligeira depreciação cambial em relação a 2025. Para 2026, este valor mantém-se estável há nove semanas, com 120 respondentes. Para 2027, a estabilidade se estende por sete semanas, com 90 respondentes, enquanto para 2028, o mesmo patamar permanece inalterado também há sete semanas, segundo 81 respondentes.

As projeções mensais de curto prazo reforçam este cenário de estabilidade cambial. Para dezembro de 2025, janeiro de 2026 e fevereiro de 2026, a mediana permanece consistentemente em 5,40 reais por dólar, mantendo-se estável há quatro semanas para dezembro e janeiro, e há três semanas para fevereiro. Esta convergência de expectativas tanto no curto quanto no médio e longo prazos sugere que o mercado antecipa um período de relativa tranquilidade no mercado cambial, sem grandes choques ou volatilidades.

SELIC – Taxa Básica de Juros

A trajetória esperada para a taxa Selic reflete as preocupações do mercado com a persistência da inflação acima da meta e a necessidade de manutenção de uma política monetária contracionista. Para o final de 2025, as expectativas apontam para uma taxa Selic de 15,00% ao ano, valor que se mantém estável. Este patamar representa um nível significativamente elevado de juros reais, refletindo o compromisso do Banco Central com o controle inflacionário e a ancoragem das expectativas.

Para 2026, a mediana das projeções indica uma Selic de 12,13%, apresentando uma leve queda na última semana após uma semana de estabilidade, conforme reportado por 144 respondentes nos últimos trinta dias. Esta redução esperada em relação a 2025 sugere que o mercado antecipa uma moderação gradual da inflação ao longo do ano, permitindo ao Banco Central iniciar um ciclo de afrouxamento monetário. No entanto, o patamar ainda elevado indica que a autoridade monetária deverá manter uma postura cautelosa.

As projeções para 2027 apontam para uma Selic de 10,50%, mantendo-se estável há quarenta e quatro semanas consecutivas, com 111 respondentes. Este valor representa uma normalização adicional da política monetária, embora ainda em níveis historicamente elevados. Para 2028, as expectativas indicam uma taxa de 9,50%, estável há duas semanas, com 101 respondentes, sugerindo uma convergência gradual para níveis mais próximos da taxa de juros neutra da economia brasileira.

As projeções mensais específicas mostram que para dezembro de 2025 a expectativa é de manutenção da Selic em 15,00%, enquanto para janeiro de 2026 o mercado projeta 15,00%, mantendo-se estável há uma semana, com 143 respondentes. Não há projeção disponível para fevereiro de 2026 no relatório analisado, o que pode indicar maior incerteza sobre as decisões do Comitê de Política Monetária naquele horizonte temporal.

IGP-M – Índice Geral de Preços do Mercado

O Índice Geral de Preços do Mercado apresenta uma dinâmica particularmente interessante, com expectativas que variam significativamente ao longo do horizonte de projeção. Para 2025, a mediana aponta para uma deflação de 0,65%, valor que vem apresentando queda há quatorze semanas consecutivas, conforme reportado por 76 respondentes nos últimos trinta dias. Esta expectativa deflacionária contrasta marcadamente com o comportamento do IPCA e reflete as particularidades metodológicas do IGP-M, que atribui peso significativo aos preços no atacado e é fortemente influenciado por commodities e taxa de câmbio.

Para 2026, as projeções indicam uma reversão para território positivo, com expectativa de variação de 4,00%, mantendo-se estável há três semanas, segundo 75 respondentes. Esta mudança de sinal reflete a expectativa de normalização dos preços no atacado e possível repasse de custos ao longo das cadeias produtivas. Para 2027, a mediana permanece em 4,00%, estável há impressionantes quarenta e oito semanas consecutivas, com 65 respondentes, indicando uma visão consolidada do mercado sobre a dinâmica inflacionária medida por este índice.

Para 2028, as expectativas apontam para 3,85%, valor que se mantém estável há duas semanas, com 61 respondentes, sugerindo uma leve moderação em relação aos anos anteriores. As projeções mensais de curto prazo mostram uma trajetória de gradual recuperação dos preços medidos pelo IGP-M. Para dezembro de 2025, a expectativa é de variação de 0,39%, em queda há três semanas. Para janeiro de 2026, a projeção aponta para 0,40%, estável há duas semanas, enquanto para fevereiro de 2026 a mediana indica 0,35%, também estável há uma semana.

Particularmente relevante é a projeção de inflação acumulada em doze meses suavizada pelo IGP-M, que se situa em 3,99%, apresentando alta na última semana após período de estabilidade, conforme reportado por 69 respondentes. Este indicador sugere que, embora o índice mensal ainda apresente valores relativamente baixos, a dinâmica acumulada já sinaliza uma aceleração dos preços medidos por esta métrica.

Considerações Finais

A análise consolidada das expectativas de mercado capturadas pelo Boletim Focus de 12 de dezembro de 2025 revela um cenário macroeconômico desafiador para a economia brasileira nos próximos anos. A persistência da inflação acima da meta, combinada com a necessidade de manutenção de juros elevados, tende a limitar o crescimento econômico e impor desafios significativos para a gestão da política econômica. A estabilidade cambial projetada oferece algum alívio, mas o conjunto de indicadores sugere que o país enfrentará um período de crescimento moderado enquanto busca reequilibrar suas contas públicas e reconquistar a confiança dos investidores. O acompanhamento contínuo destas expectativas será fundamental para avaliar a eficácia das políticas adotadas e antecipar possíveis ajustes de rota que se façam necessários.

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