Boletim Focus 12/01/2026: Inflação Cai, Selic e Câmbio estável.

O que o último Boletim Focus Projeta para o Brasil

O Boletim Focus de 12 de janeiro de 2026 reforça um cenário de transição para a economia brasileira. Em 2026, a inflação segue acima da meta, enquanto o PIB avança modestamente. O câmbio mantém estabilidade, e a Selic permanece elevada, com cortes esperados apenas a partir de 2027. O IGP-M acompanha a trajetória do IPCA, com desaceleração gradual. Para os anos seguintes, as projeções sugerem uma convergência mais clara às metas de inflação e uma recuperação econômica lenta, porém sustentável, desde que os desafios fiscais e externos sejam equacionados.


IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo)

O IPCA, índice oficial que mede a inflação no Brasil, apresenta projeções relevantes para os anos de 2026 e 2027. Para 2026, a expectativa é de uma variação de 4,47%, um recuo em relação à previsão anterior de 4,49%, conforme indicado por ▼(1). Esse comportamento reflete pressões inflacionárias ainda presentes na economia, especialmente nos preços administrados, cuja variação projetada para 2026 caiu para 4,68%, um recuo em relação à previsão anterior de 4,70%, conforme indicado por ▼(1). Já para 2027, a expectativa é de estabilidade, com o IPCA projetado em 4,50%, uma redução em relação à previsão anterior de 4,52%, conforme indicado por ▼(1). Nos meses iniciais de 2026, as projeções mensais mostram moderação, com variações de 0,39% em janeiro e 0,35% em fevereiro. A inflação acumulada nos últimos 12 meses apresenta sinais de desaceleração, caindo de 4,49% para 4,47% até março de 2026.


PIB (Produto Interno Bruto)

As projeções para o PIB brasileiro indicam um crescimento positivo para os próximos anos. Para 2026, a mediana das expectativas aponta para um crescimento de 1,70% em relação ao ano anterior, sem alterações significativas em relação à previsão anterior, conforme indicado por (1). Esse cenário sugere uma leve melhora na atividade econômica, influenciada por políticas fiscais mais equilibradas e uma demanda interna mais resiliente. Para 2027, a expectativa é de um crescimento ainda mais robusto, com o PIB variando 2,00% sobre o ano anterior, um aumento em relação à previsão anterior de 1,90%, conforme indicado por ▲(1). Nos anos seguintes, as projeções indicam uma recuperação gradual, mas ainda insuficiente para retornar a patamares mais robustos de expansão econômica, com variações projetadas de 2,00% tanto para 2028 quanto para 2029.


Câmbio (R$/US$)

O mercado projeta estabilidade no câmbio para os próximos anos. Para 2026, a taxa de câmbio é esperada em R$ 5,90 por dólar, refletindo leve valorização do real em relação à previsão anterior de R$ 5,95, conforme indicado por ▼(1). Para 2027, a expectativa é de estabilidade em R$ 5,90 por dólar, com tendência de equilíbrio entre oferta e demanda por moeda estrangeira. No curto prazo, a projeção para janeiro de 2026 indica uma taxa de R$ 5,85, com tendência de estabilidade nos meses subsequentes.


Selic (Taxa Básica de Juros)

A Selic, principal instrumento de política monetária do Banco Central, permanece em níveis elevados para conter as pressões inflacionárias. Para 2026, a mediana das expectativas indica que a Selic permanecerá em 12,50% ao ano, sem alterações significativas nas últimas semanas, conforme indicado por (18). Para 2027, a expectativa de corte gradual segue em 10,00% ao ano, com perspectiva de redução para 8,00% até 2028. Nos meses iniciais de 2026, a Selic mantém-se estável em 12,25% ao ano, sem alterações nas últimas semanas.


IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado)

O IGP-M, amplamente utilizado no reajuste de contratos, também apresenta projeções relevantes. Para 2026, a expectativa é de uma variação de 4,70%, um recuo em relação à previsão anterior de 4,72%, conforme indicado por ▼(1). Para 2027, a projeção é de estabilidade, com o índice variando 4,60%, um aumento em relação à previsão anterior de 4,62%, conforme indicado por ▲(1). Nos meses iniciais de 2026, as projeções mensais mostram estabilidade, com variações de 0,02% em janeiro e 0,34% em fevereiro. A inflação acumulada nos últimos 12 meses também apresenta sinais de moderação, com uma alta de 5,18% para 5,20% até março de 2026.


Resultado Nominal (% do PIB)

O resultado nominal do governo federal, expresso como percentual do PIB, também foi atualizado. Para 2026, a expectativa é de um déficit de -8,40% do PIB, uma queda em relação à previsão anterior de -8,45%, conforme indicado por ▼(1). Para 2027, a projeção é de um déficit menor, com -8,30% do PIB, um aumento em relação à previsão anterior de -8,35%, conforme indicado por ▲(1). Esses números refletem esforços contínuos para controlar as despesas públicas e melhorar a sustentabilidade fiscal.


Conclusão

Essa análise detalhada dos principais indicadores econômicos revela um cenário de ajustes graduais, com desafios no curto prazo, mas perspectivas de estabilização nos anos seguintes. Apesar das pressões inflacionárias e do crescimento econômico modesto, as projeções para 2027 e anos subsequentes sinalizam moderação da inflação e redução gradual da Selic, sugerindo um horizonte de maior estabilidade. O equilíbrio cambial e a convergência do IGP-M ao IPCA reforçam a expectativa de normalização dos indicadores econômicos. Além disso, o resultado nominal do governo mostra avanços na gestão fiscal, embora ainda haja espaço para melhorias significativas.


Mais detalhes sobre o Boletim Focus

IPCA – Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo

As expectativas para o IPCA revelam uma trajetória de gradual convergência em direção à meta de inflação estabelecida pelo Banco Central. Para o ano de 2026, a mediana das projeções encontra-se em 4,05%, apresentando uma leve redução em relação à semana anterior, quando estava em 4,06%. Esta diminuição de um ponto base representa a primeira queda após um período de estabilidade, com 146 respondentes contribuindo para esta estimativa. É importante destacar que este patamar ainda se encontra acima do teto da meta de inflação, que é de 3% com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

Observando o horizonte de médio prazo, as projeções para 2027 mantêm-se estáveis em 3,80%, exatamente no limite superior da banda de tolerância da meta. Esta estabilidade vem sendo observada há dez semanas consecutivas, com 135 respondentes nos últimos trinta dias. Para 2028, o mercado projeta uma inflação de 3,50%, mantendo-se inalterada há dez semanas, com 115 instituições participando das estimativas. Já para 2029, a expectativa permanece em 3,50%, estável há dezenove semanas, demonstrando uma visão de convergência sustentada para a meta central de inflação no longo prazo.

Analisando as projeções mensais para o início de 2026, observa-se que para janeiro a expectativa é de uma variação de 0,35% no IPCA, com redução em relação à semana anterior quando estava em 0,36%. Para fevereiro, a mediana aponta para 0,53%, mantendo-se estável há duas semanas. Março apresenta projeção de 0,35%, inalterada há catorze semanas consecutivas. A inflação acumulada em doze meses suavizada apresenta expectativa de 4,04%, com um aumento recente após três semanas de movimento ascendente.

PIB – Produto Interno Bruto

As expectativas para o crescimento econômico brasileiro demonstram uma perspectiva de desaceleração gradual ao longo do horizonte de projeção. Para 2026, a mediana das estimativas mantém-se em 1,80%, estável há cinco semanas, com 110 respondentes contribuindo para esta projeção. Este crescimento, embora modesto, reflete as expectativas de um ambiente econômico ainda desafiador, marcado por juros elevados e incertezas fiscais.

Para 2027, o mercado projeta um crescimento ligeiramente mais robusto, com o PIB estimado em 1,80%, apresentando uma pequena redução em relação às duas semanas anteriores. A mediana conta com 87 respondentes nos últimos trinta dias. Interessantemente, para 2028 e 2029, as expectativas são mais otimistas, com projeções de crescimento de 2,00% para ambos os anos. Para 2028, esta estimativa mantém-se estável há noventa e seis semanas, enquanto para 2029 permanece inalterada há quarenta e três semanas, sugerindo uma visão de recuperação econômica mais consistente no médio prazo.

Câmbio – Taxa de Câmbio Real/Dólar

As projeções cambiais revelam expectativas de depreciação do real frente ao dólar americano ao longo do horizonte de análise. Para o final de 2026, a mediana das estimativas aponta para uma taxa de câmbio de 5,50 reais por dólar, mantendo-se estável há treze semanas, com 116 respondentes. Esta projeção reflete as preocupações do mercado com a situação fiscal brasileira e o cenário externo desafiador.

Para 2027, a expectativa permanece em 5,50 reais por dólar, estável há onze semanas, com 101 instituições participando das estimativas. Observa-se uma ligeira deterioração nas projeções para 2028, com a mediana em 5,52 reais por dólar, apresentando estabilidade há duas semanas. Para 2029, as expectativas apontam para 5,57 reais por dólar, com um aumento recente em relação à semana anterior, quando estava em 5,56. Este movimento ascendente, embora modesto, sugere preocupações persistentes com a trajetória de longo prazo da moeda brasileira.

No curto prazo, as projeções mensais indicam uma taxa de câmbio de 5,43 reais por dólar para janeiro de 2026, mantendo-se estável há duas semanas. Para fevereiro, a expectativa também é de 5,43 reais por dólar, enquanto para março projeta-se 5,45 reais por dólar, ambas estáveis há duas semanas consecutivas.

SELIC – Taxa Básica de Juros

As expectativas para a taxa SELIC revelam uma trajetória de política monetária contracionista no curto prazo, seguida por uma gradual flexibilização. Para o final de 2026, a mediana das projeções encontra-se em 12,25% ao ano, apresentando estabilidade há três semanas, com 143 respondentes. Este patamar representa um nível significativamente elevado e reflete a necessidade percebida pelo mercado de manutenção de juros restritivos para combater as pressões inflacionárias.

Para 2027, o mercado projeta uma taxa SELIC de 10,50% ao ano, mantendo-se estável há quarenta e oito semanas consecutivas, com 124 instituições contribuindo para esta estimativa. Esta redução em relação a 2026 sugere expectativas de que a inflação estará mais controlada, permitindo algum espaço para afrouxamento monetário. Para 2028, a projeção é de 9,88% ao ano, apresentando um aumento recente em relação à semana anterior, quando estava em 9,75%. Esta taxa vem sendo ajustada há uma semana, com 102 respondentes. Para 2029, a expectativa é de uma SELIC em 9,50% ao ano, estável há onze semanas.

As projeções de curto prazo indicam que a taxa SELIC deverá alcançar 15,00% ao ano em janeiro de 2026, mantendo-se neste patamar há cinco semanas consecutivas. Para março de 2026, a expectativa é de uma redução para 14,50% ao ano, estável há quinze semanas, sinalizando o início de um ciclo de flexibilização monetária ainda no primeiro trimestre do ano.

IGP-M – Índice Geral de Preços do Mercado

O IGP-M, importante indicador de inflação utilizado principalmente para reajustes de contratos de aluguel e tarifas públicas, apresenta projeções que indicam uma trajetória de desaceleração. Para 2026, a mediana das expectativas encontra-se em 3,92%, com uma redução recente em relação à semana anterior, quando estava em 3,95%. Este movimento de queda vem ocorrendo há uma semana, com 70 respondentes contribuindo para a estimativa.

Para 2027, o mercado projeta um IGP-M de 4,00%, mantendo-se estável há cinquenta e duas semanas consecutivas, demonstrando uma visão consolidada do mercado sobre este indicador. A mediana conta com 63 instituições nos últimos trinta dias. Para 2028, a expectativa permanece em 3,85%, inalterada há seis semanas, enquanto para 2029 a projeção é de 3,70%, apresentando uma redução recente após duas semanas de movimento descendente.

No âmbito mensal, as projeções para janeiro de 2026 apontam para uma variação de 0,31% no IGP-M, com redução em relação à semana anterior. Para fevereiro, a expectativa também é de 0,31%, apresentando queda recente, e para março projeta-se 0,34%, igualmente com movimento de redução. A inflação acumulada em doze meses suavizada do IGP-M apresenta expectativa de 3,92%, com diminuição recente em relação à semana anterior.

Este conjunto de projeções revela um cenário macroeconômico desafiador para a economia brasileira, com inflação persistente acima da meta, crescimento econômico modesto, pressão cambial e necessidade de manutenção de juros elevados. A convergência gradual dos indicadores inflacionários em direção às metas estabelecidas sugere que o mercado ainda enxerga um longo caminho até a normalização completa das condições macroeconômicas do país.

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