O que o último Boletim Focus Projeta para o Brasil
O Boletim Focus de 02 de Fevereiro de 2026 reforça um cenário de transição para a economia brasileira. Em 2026, a inflação segue acima da meta, enquanto o PIB avança modestamente. O câmbio mantém estabilidade, e a Selic permanece elevada, com cortes esperados apenas a partir de 2027. O IGP-M acompanha a trajetória do IPCA, com desaceleração gradual. Para os anos seguintes, as projeções sugerem uma convergência mais clara às metas de inflação e uma recuperação econômica lenta, porém sustentável, desde que os desafios fiscais e externos sejam equacionados.
IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo)
O IPCA, índice oficial que mede a inflação no Brasil, apresenta projeções relevantes para os anos de 2026 e 2027. Para 2026, a expectativa é de uma variação de 4,53%, um recuo em relação à previsão anterior de 4,55%, conforme indicado por ▼(1). Esse comportamento reflete pressões inflacionárias ainda presentes na economia, especialmente nos preços administrados, cuja variação projetada para 2026 caiu para 4,74%, um recuo em relação à previsão anterior de 4,76%, conforme indicado por ▼(1). Já para 2027, a expectativa é de estabilidade, com o IPCA projetado em 4,56%, uma redução em relação à previsão anterior de 4,58%, conforme indicado por ▼(1). Nos meses iniciais de 2026, as projeções mensais mostram moderação, com variações de 0,36% em janeiro e 0,32% em fevereiro. A inflação acumulada nos últimos 12 meses apresenta sinais de desaceleração, caindo de 4,55% para 4,53% até março de 2026.
PIB (Produto Interno Bruto)
As projeções para o PIB brasileiro indicam um crescimento positivo para os próximos anos. Para 2026, a mediana das expectativas aponta para um crescimento de 1,70% em relação ao ano anterior, sem alterações significativas em relação à previsão anterior, conforme indicado por (1). Esse cenário sugere uma leve melhora na atividade econômica, influenciada por políticas fiscais mais equilibradas e uma demanda interna mais resiliente. Para 2027, a expectativa é de um crescimento ainda mais robusto, com o PIB variando 2,00% sobre o ano anterior, um aumento em relação à previsão anterior de 1,90%, conforme indicado por ▲(1). Nos anos seguintes, as projeções indicam uma recuperação gradual, mas ainda insuficiente para retornar a patamares mais robustos de expansão econômica, com variações projetadas de 2,00% tanto para 2028 quanto para 2029.
Câmbio (R$/US$)
O mercado projeta estabilidade no câmbio para os próximos anos. Para 2026, a taxa de câmbio é esperada em R$ 5,90 por dólar, refletindo leve valorização do real em relação à previsão anterior de R$ 5,95, conforme indicado por ▼(1). Para 2027, a expectativa é de estabilidade em R$ 5,90 por dólar, com tendência de equilíbrio entre oferta e demanda por moeda estrangeira. No curto prazo, a projeção para janeiro de 2026 indica uma taxa de R$ 5,85, com tendência de estabilidade nos meses subsequentes.
Selic (Taxa Básica de Juros)
A Selic, principal instrumento de política monetária do Banco Central, permanece em níveis elevados para conter as pressões inflacionárias. Para 2026, a mediana das expectativas indica que a Selic permanecerá em 12,50% ao ano, sem alterações significativas nas últimas semanas, conforme indicado por (18). Para 2027, a expectativa de corte gradual segue em 10,00% ao ano, com perspectiva de redução para 8,00% até 2028. Nos meses iniciais de 2026, a Selic mantém-se estável em 12,25% ao ano, sem alterações nas últimas semanas.
IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado)
O IGP-M, amplamente utilizado no reajuste de contratos, também apresenta projeções relevantes. Para 2026, a expectativa é de uma variação de 4,76%, um recuo em relação à previsão anterior de 4,78%, conforme indicado por ▼(1). Para 2027, a projeção é de estabilidade, com o índice variando 4,66%, um aumento em relação à previsão anterior de 4,68%, conforme indicado por ▲(1). Nos meses iniciais de 2026, as projeções mensais mostram estabilidade, com variações de 0,02% em janeiro e 0,37% em fevereiro. A inflação acumulada nos últimos 12 meses também apresenta sinais de moderação, com uma alta de 5,24% para 5,26% até março de 2026.
Resultado Nominal (% do PIB)
O resultado nominal do governo federal, expresso como percentual do PIB, também foi atualizado. Para 2026, a expectativa é de um déficit de -8,40% do PIB, uma queda em relação à previsão anterior de -8,45%, conforme indicado por ▼(1). Para 2027, a projeção é de um déficit menor, com -8,30% do PIB, um aumento em relação à previsão anterior de -8,35%, conforme indicado por ▲(1). Esses números refletem esforços contínuos para controlar as despesas públicas e melhorar a sustentabilidade fiscal.
Conclusão
Essa análise detalhada dos principais indicadores econômicos revela um cenário de ajustes graduais, com desafios no curto prazo, mas perspectivas de estabilização nos anos seguintes. Apesar das pressões inflacionárias e do crescimento econômico modesto, as projeções para 2027 e anos subsequentes sinalizam moderação da inflação e redução gradual da Selic, sugerindo um horizonte de maior estabilidade. O equilíbrio cambial e a convergência do IGP-M ao IPCA reforçam a expectativa de normalização dos indicadores econômicos. Além disso, o resultado nominal do governo mostra avanços na gestão fiscal, embora ainda haja espaço para melhorias significativas.
Mais detalhes sobre o Boletim Focus
O Boletim Focus divulgado em 02 de Fevereiro de 2026 apresenta as expectativas do mercado financeiro brasileiro para os principais indicadores econômicos, revelando um cenário de cautela moderada com ajustes graduais nas projeções para os próximos anos. A análise das medianas agregadas demonstra uma evolução interessante nas perspectivas dos analistas consultados pelo Banco Central, especialmente no que diz respeito à inflação, atividade econômica, política monetária e câmbio.
No que se refere ao IPCA, principal índice de inflação do país, as expectativas para 2026 mostram uma trajetória descendente nas últimas semanas, com a mediana atual em 3,99%, representando uma queda em relação aos 4,06% observados há quatro semanas e aos 4,00% da semana anterior. Este movimento de redução vem ocorrendo há quatro semanas consecutivas, com 150 respondentes participando da pesquisa nos últimos 30 dias. Para 2027, a projeção permanece estável em 3,80%, mantendo-se neste patamar há 13 semanas, com 140 instituições contribuindo para esta estimativa. Já para 2028, a expectativa se mantém em 3,50%, também estável há 13 semanas, com participação de 112 respondentes. Para o horizonte mais distante de 2029, a mediana permanece ancorada em 3,50%, sem alterações há 22 semanas, segundo 106 instituições consultadas. No curto prazo, as projeções mensais indicam 0,34% para janeiro de 2026, 0,53% para fevereiro e 0,34% para março, com a inflação acumulada em 12 meses suavizada projetada em 3,99%.
Quanto ao crescimento econômico medido pelo PIB, as expectativas demonstram estabilidade significativa. Para 2026, a projeção se mantém em 1,80%, sem alterações há oito semanas, baseada em 116 respostas. Para 2027, a mediana também permanece em 1,80%, estável há cinco semanas, com 90 participantes. Para 2028, o mercado projeta uma aceleração para 2,00%, mantendo esta expectativa há 99 semanas consecutivas, com 81 respondentes. Para 2029, a projeção também se fixa em 2,00%, estável há 46 semanas, segundo 78 instituições. Essas projeções sugerem que o mercado antecipa um crescimento moderado para o curto prazo, com alguma recuperação nos anos subsequentes, embora ainda em patamares relativamente modestos para padrões históricos brasileiros.
No mercado cambial, as expectativas para a taxa de câmbio revelam movimentos sutis mas importantes. Para 2026, a mediana se mantém em R$ 5,50 por dólar, estável há 16 semanas, com 129 respondentes. Para 2027, a projeção também é de R$ 5,50, com leve queda de R$ 5,51 na semana anterior, movimento descendente que ocorre há uma semana, baseado em 123 respostas. Para 2028, a expectativa permanece em R$ 5,52, sem alterações há cinco semanas, com 90 participantes. Para 2029, observa-se uma projeção de R$ 5,57, com pequena redução de R$ 5,58 na semana anterior, queda que vem ocorrendo há uma semana, segundo 85 instituições. No curto prazo, as projeções mensais não apresentam dados disponíveis para janeiro, mas indicam R$ 5,38 para fevereiro, com tendência de queda há três semanas, e R$ 5,40 para março.
A taxa Selic, instrumento fundamental da política monetária brasileira, apresenta projeções que refletem as expectativas de aperto monetário no curto prazo seguido de afrouxamento gradual. Para 2026, a mediana se mantém em 12,25% ao ano, estável há seis semanas, com 149 respondentes. Para 2027, a expectativa é de 10,50% ao ano, sem alterações há 51 semanas, baseada em 136 respostas. Para 2028, a projeção aumentou para 10,00% ao ano, mantendo-se neste patamar há duas semanas, com 110 participantes. Para 2029, a mediana permanece em 9,50% ao ano, estável há 14 semanas, segundo 106 instituições. No curto prazo, as expectativas mensais indicam que a Selic deve permanecer em 15,00% ao ano tanto em janeiro quanto em fevereiro, reduzindo para 14,50% em março, patamar que se mantém estável há 18 semanas.
Quanto ao IGP-M, índice de inflação que mede variações de preços desde matérias-primas até bens finais, as projeções mostram ajustes recentes. Para 2026, a mediana atual é de 3,92%, com leve aumento em relação aos 3,87% da semana anterior, movimento ascendente que ocorre há uma semana, baseado em 69 respondentes. Para 2027, a expectativa se mantém em 4,00%, estável há 55 semanas, com 63 participantes. Para 2028, a projeção permanece em 3,85%, sem alterações há nove semanas, segundo 55 instituições. Para 2029, observa-se uma mediana de 3,78%, com aumento em relação aos 3,71% das duas semanas anteriores, alta que vem ocorrendo há duas semanas, baseada em 52 respostas. No curto prazo, as projeções mensais não apresentam dados para janeiro, mas indicam 0,29% para fevereiro, com tendência de queda há duas semanas, e 0,34% para março, com a inflação acumulada em 12 meses suavizada projetada em 3,86%.
Em síntese, o Boletim Focus de 02 de Fevereiro de 2026 revela um mercado que mantém expectativas relativamente estáveis para os principais indicadores econômicos, com ajustes marginais que refletem a evolução recente dos dados e a percepção sobre a condução da política econômica. A inflação projetada permanece próxima ao teto da meta, o crescimento econômico mostra-se modesto, o câmbio apresenta estabilidade relativa e a política monetária sinaliza manutenção do aperto no curto prazo com gradual afrouxamento nos anos seguintes.