O que o último Boletim Focus Projeta para o Brasil:
O Boletim Focus de 20 de abril de 2026 reforça um cenário de transição para a economia brasileira. Em 2026, a inflação segue acima da meta, enquanto o PIB avança modestamente. O câmbio mantém estabilidade, e a Selic permanece elevada, com cortes esperados apenas a partir de 2027. O IGP-M acompanha a trajetória do IPCA, com desaceleração gradual. Para os anos seguintes, as projeções sugerem uma convergência mais clara às metas de inflação e uma recuperação econômica lenta, porém sustentável, desde que os desafios fiscais e externos sejam equacionados.
IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo)
O IPCA, índice oficial que mede a inflação no Brasil, apresenta projeções relevantes para os anos de 2026 e 2027. Para 2026, a expectativa é de uma variação de 4,80%, um aumento em relação à previsão anterior de 4,71%, conforme indicado por ▲(6). Esse comportamento reflete pressões inflacionárias ainda presentes na economia, especialmente nos preços administrados, cuja variação projetada para 2026 aumentou para 4,85%, um aumento em relação à previsão anterior de 4,71%, conforme indicado por ▲(6). Já para 2027, a expectativa é de estabilidade, com o IPCA projetado em 3,99%, um aumento em relação à previsão anterior de 3,91%, conforme indicado por ▲(4). Nos meses iniciais de 2026, as projeções mensais mostram moderação, com variações de 0,39% em abril e 0,35% em maio. A inflação acumulada nos últimos 12 meses apresenta sinais de desaceleração, caindo de 4,71% para 4,80% até junho de 2026.
PIB (Produto Interno Bruto)
As projeções para o PIB brasileiro indicam um crescimento positivo para os próximos anos. Para 2026, a mediana das expectativas aponta para um crescimento de 2,00% em relação ao ano anterior, sem alterações significativas em relação à previsão anterior, conforme indicado por (1). Esse cenário sugere uma leve melhora na atividade econômica, influenciada por políticas fiscais mais equilibradas e uma demanda interna mais resiliente. Para 2027, a expectativa é de um crescimento ainda mais robusto, com o PIB variando 2,00% sobre o ano anterior, um aumento em relação à previsão anterior de 1,90%, conforme indicado por ▲(1). Nos anos seguintes, as projeções indicam uma recuperação gradual, mas ainda insuficiente para retornar a patamares mais robustos de expansão econômica, com variações projetadas de 2,00% tanto para 2028 quanto para 2029.
Câmbio (R$/US$)
O mercado projeta estabilidade no câmbio para os próximos anos. Para 2026, a taxa de câmbio é esperada em R$ 5,90 por dólar, refletindo leve valorização do real em relação à previsão anterior de R$ 5,95, conforme indicado por ▼(1). Para 2027, a expectativa é de estabilidade em R$ 5,90 por dólar, com tendência de equilíbrio entre oferta e demanda por moeda estrangeira. No curto prazo, a projeção para abril de 2026 indica uma taxa de R$ 5,85, com tendência de estabilidade nos meses subsequentes.
Selic (Taxa Básica de Juros)
A Selic, principal instrumento de política monetária do Banco Central, permanece em níveis elevados para conter as pressões inflacionárias. Para 2026, a mediana das expectativas indica que a Selic permanecerá em 12,50% ao ano, sem alterações significativas nas últimas semanas, conforme indicado por (18). Para 2027, a expectativa de corte gradual segue em 10,00% ao ano, com perspectiva de redução para 8,00% até 2028. Nos meses iniciais de 2026, a Selic mantém-se estável em 12,25% ao ano, sem alterações nas últimas semanas.
IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado)
O IGP-M, amplamente utilizado no reajuste de contratos, também apresenta projeções relevantes. Para 2026, a expectativa é de uma variação de 4,88%, um recuo em relação à previsão anterior de 4,90%, conforme indicado por ▼(1). Para 2027, a projeção é de estabilidade, com o índice variando 4,78%, um aumento em relação à previsão anterior de 4,80%, conforme indicado por ▲(1). Nos meses iniciais de 2026, as projeções mensais mostram estabilidade, com variações de 0,02% em abril e 0,43% em maio. A inflação acumulada nos últimos 12 meses também apresenta sinais de moderação, com uma alta de 5,36% para 5,38% até junho de 2026.
Balança Comercial (US$ bilhões)
A balança comercial brasileira apresenta projeções positivas para os próximos anos. Para 2026, a expectativa é de um superávit de US$ 72,65 bilhões, um aumento em relação à previsão anterior de US$ 70,00 bilhões, conforme indicado por ▲(1). Esse comportamento reflete a recuperação das exportações brasileiras no cenário internacional. Para 2027, a expectativa é de um superávit ainda maior, com US$ 74,00 bilhões, um aumento em relação à previsão anterior de US$ 73,10 bilhões, conforme indicado por ▲(1). Para 2028, a projeção é de um superávit de US$ 73,00 bilhões, uma redução em relação à previsão anterior de US$ 73,50 bilhões, conforme indicado por ▼(1). Para 2029, a expectativa é de um superávit de US$ 74,83 bilhões, um aumento em relação à previsão anterior de US$ 74,70 bilhões, conforme indicado por ▲(1).
Investimento Direto no País (US$ bilhões)
O investimento direto no país (IDP) apresenta projeções estáveis para os próximos anos. Para 2026, a expectativa é de US$ 75,00 bilhões, sem alterações significativas em relação à previsão anterior, conforme indicado por (9). Para 2027, a expectativa é de US$ 78,00 bilhões, uma redução em relação à previsão anterior de US$ 78,50 bilhões, conforme indicado por ▼(1). Para 2028 e 2029, a projeção é de US$ 80,00 bilhões, sem alterações significativas em relação à previsão anterior, conforme indicado por (10). Esses números refletem a confiança dos investidores internacionais na economia brasileira, apesar de alguns desafios conjunturais.
Resultado Nominal (% do PIB)
O resultado nominal do governo federal, expresso como percentual do PIB, também foi atualizado. Para 2026, a expectativa é de um déficit de -8,40% do PIB, uma queda em relação à previsão anterior de -8,45%, conforme indicado por ▼(1). Para 2027, a projeção é de um déficit menor, com -8,30% do PIB, um aumento em relação à previsão anterior de -8,35%, conforme indicado por ▲(1). Esses números refletem esforços contínuos para controlar as despesas públicas e melhorar a sustentabilidade fiscal.
Conclusão
Essa análise detalhada dos principais indicadores econômicos revela um cenário de ajustes graduais, com desafios no curto prazo, mas perspectivas de estabilização nos anos seguintes. Apesar das pressões inflacionárias e do crescimento econômico modesto, as projeções para 2027 e anos subsequentes sinalizam moderação da inflação e redução gradual da Selic, sugerindo um horizonte de maior estabilidade. O equilíbrio cambial e a convergência do IGP-M ao IPCA reforçam a expectativa de normalização dos indicadores econômicos. Além disso, o resultado nominal do governo mostra avanços na gestão fiscal, embora ainda haja espaço para melhorias significativas. A balança comercial positiva e o investimento direto estável indicam uma economia brasileira cada vez mais integrada ao cenário global, com perspectivas promissoras para os próximos anos.
Mais detalhes sobre o Boletim Focus
IPCA – Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo
O IPCA é o principal indicador de inflação ao consumidor no Brasil e apresenta trajetória importante ao longo do período analisado. Para 2026, a mediana das expectativas do mercado situa-se em 4,80%, representando uma elevação em relação às projeções de quatro semanas antes, quando estava em 4,17%. Essa variação de alta de seis semanas consecutivas sugere que analistas estão revisando suas projeções inflacionárias para cima, possivelmente refletindo pressões inflacionárias mais persistentes do que o esperado.
Para 2027, as expectativas são significativamente menores, com a mediana projetada em 3,99%, indicando uma desaceleração importante da inflação. Esse movimento descendente continua em 2028, onde a expectativa cai para 3,60%, permanecendo estável em relação à semana anterior. Já para 2029, o mercado projeta uma estabilização em 3,50%, sugerindo que a inflação convergiria para um patamar mais próximo da meta de médio prazo do Banco Central.
Analisando os dados mensais para 2026, observa-se que abril apresenta uma variação de 0,66%, maio de 0,37% e junho de 0,30%, indicando uma desaceleração ao longo dos meses. A inflação acumulada em doze meses suavizada está projetada em 4,14%, refletindo a trajetória esperada para o período.
PIB – Produto Interno Bruto
O crescimento econômico projetado para 2026 é modesto, com o PIB esperado em 1,86% em variação sobre o ano anterior. Essa projeção permaneceu praticamente estável ao longo das últimas semanas, oscilando entre 1,84% e 1,86%, o que sugere consenso entre os analistas sobre um crescimento econômico contido. Com apenas um respondente revisando sua projeção na última semana, há grande estabilidade nas expectativas para este ano.
Para 2027, a expectativa é de uma ligeira desaceleração, com o PIB projetado em 1,80%, mantendo-se praticamente no mesmo patamar de 2026. Essa estabilidade no crescimento econômico ao longo de dois anos consecutivos sugere que o mercado não espera uma recuperação significativa da atividade econômica no curto prazo.
Em 2028, há uma expectativa de aceleração do crescimento, com o PIB projetado em 2,00%. Esse aumento de 0,20 ponto percentual em relação a 2027 indica que analistas esperam uma melhora nas condições econômicas. Essa projeção permanece estável, com grande número de respondentes (110 nas últimas quatro semanas) mantendo essa expectativa.
Para 2029, a projeção permanece em 2,00%, sugerindo que o mercado espera uma consolidação do crescimento em um patamar ligeiramente superior ao observado em 2026 e 2027. O número de respondentes (83) é menor, o que é esperado para projeções tão distantes, mas ainda representa um consenso razoável.
Câmbio – Taxa de Câmbio Real/Dólar Americano
A taxa de câmbio é um indicador crucial para a economia brasileira, afetando a competitividade das exportações e o custo das importações. Para 2026, a mediana das expectativas situa-se em 5,30 reais por dólar, representando uma apreciação da moeda brasileira em relação às projeções de quatro semanas antes, quando estava em 5,40. Essa trajetória de apreciação continuou na última semana, sugerindo que o mercado espera um fortalecimento do real.
Para 2027, a expectativa é de uma ligeira depreciação, com a câmbio projetado em 5,35 reais por dólar, mantendo-se próximo ao nível de 2026. Essa estabilidade relativa sugere que, após a apreciação esperada para 2026, o mercado não projeta grandes movimentos cambiais.
Em 2028, a expectativa é de uma depreciação adicional, com o câmbio projetado em 5,40 reais por dólar. Esse movimento reflete possíveis pressões sobre a moeda brasileira, possivelmente relacionadas a diferenciais de taxa de juros ou fluxos de capital.
Para 2029, a projeção é de 5,45 reais por dólar, indicando uma continuação da tendência de depreciação gradual. Ao longo do período analisado, observa-se uma trajetória de enfraquecimento progressivo do real, com a moeda passando de 5,30 em 2026 para 5,45 em 2029.
Nos dados mensais de 2026, o câmbio é projetado em 5,08 reais por dólar para abril, 5,11 para maio e 5,15 para junho, refletindo uma apreciação gradual do real ao longo do segundo trimestre do ano.
SELIC – Taxa de Juros Básica da Economia
A SELIC é o principal instrumento de política monetária do Banco Central e suas projeções refletem as expectativas sobre a trajetória da inflação e do crescimento econômico. Para 2026, a mediana das expectativas situa-se em 13,00% ao ano, representando um aumento em relação às projeções de quatro semanas antes, quando estava em 12,50%. Essa elevação de 50 pontos base sugere que o mercado espera um aperto adicional nas condições monetárias.
Para 2027, a expectativa é de uma redução significativa da SELIC, com a taxa projetada em 11,00% ao ano, representando uma queda de 200 pontos base em relação a 2026. Esse movimento descendente reflete a expectativa de que a inflação estaria sob controle, permitindo ao Banco Central iniciar um ciclo de redução de juros.
Em 2028, a expectativa é de uma continuação da redução, com a SELIC projetada em 10,00% ao ano, representando uma queda adicional de 100 pontos base. Essa trajetória sugere que o mercado espera uma normalização gradual das condições monetárias.
Para 2029, a projeção é de 9,88% ao ano, indicando uma continuação da redução de juros, embora em ritmo mais lento. Ao longo do período analisado, observa-se uma trajetória de redução progressiva da SELIC, passando de 13,00% em 2026 para 9,88% em 2029, refletindo a expectativa de uma convergência da inflação para patamares mais baixos.
Nos dados mensais de 2026, a SELIC é projetada em 14,25% para abril, 14,50% para maio e junho, sugerindo que o Banco Central completaria seu ciclo de aperto até maio, mantendo a taxa estável a partir de então.
IGP-M – Índice Geral de Preços do Mercado
O IGP-M é um indicador de inflação de preços no atacado e é importante para compreender as pressões inflacionárias em toda a cadeia de produção. Para 2026, a mediana das expectativas situa-se em 4,66%, representando um aumento em relação às projeções de quatro semanas antes, quando estava em 3,45%. Essa elevação de 121 pontos base é significativa e sugere que o mercado está revisando para cima suas expectativas sobre a inflação de preços no atacado.
Para 2027, a expectativa é de uma estabilização em 4,00%, representando uma redução em relação a 2026. Esse movimento reflete a expectativa de que as pressões inflacionárias no atacado estariam se normalizando.
Em 2028, a expectativa é de uma estabilização ainda maior, com o IGP-M projetado em 3,82%, mantendo-se praticamente no mesmo patamar de 2027. Essa estabilidade sugere que o mercado espera uma consolidação de um ambiente inflacionário mais controlado.
Para 2029, a projeção é de 3,70%, indicando uma ligeira redução em relação a 2028. Ao longo do período analisado, observa-se uma trajetória de redução progressiva do IGP-M, passando de 4,66% em 2026 para 3,70% em 2029.
Nos dados mensais de 2026, o IGP-M é projetado em 1,39% para abril, 0,40% para maio e 0,26% para junho, refletindo uma desaceleração importante ao longo do segundo trimestre. A inflação acumulada em doze meses suavizada está projetada em 4,67%, refletindo a trajetória esperada para o período.
Conclusão
O Boletim Focus de 20 de abril de 2026 apresenta um cenário econômico caracterizado por inflação ainda elevada em 2026, com expectativa de redução gradual nos anos subsequentes. O crescimento econômico é projetado como modesto, em torno de 1,8% a 2,0%, sugerindo uma economia operando abaixo de seu potencial. A política monetária é esperada como restritiva em 2026, com a SELIC em 13,00%, seguida de uma redução gradual até 9,88% em 2029, refletindo a expectativa de convergência da inflação. O câmbio é projetado como estável a levemente depreciado, passando de 5,30 em 2026 para 5,45 em 2029. Essas projeções refletem um mercado cauteloso, com revisões recentes para cima nas expectativas inflacionárias, particularmente no IGP-M, sugerindo que analistas estão atentos a pressões inflacionárias persistentes na economia brasileira.