Boletim Focus 03/08/2026: Inflação e Selic em queda e Câmbio estável.

O que o último Boletim Focus Projeta para o Brasil:

Essa análise detalhada dos principais indicadores econômicos revela um cenário de ajustes graduais, com desafios no curto prazo, mas perspectivas de estabilização nos anos seguintes. Apesar das pressões inflacionárias e do crescimento econômico modesto, as projeções para 2027 e anos subsequentes sinalizam moderação da inflação e redução gradual da Selic, sugerindo um horizonte de maior estabilidade. O equilíbrio cambial e a convergência do IGP-M ao IPCA reforçam a expectativa de normalização dos indicadores econômicos. Além disso, o resultado nominal do governo mostra avanços na gestão fiscal, embora ainda haja espaço para melhorias significativas. A persistência da alta nos preços administrados requer atenção especial das autoridades para evitar que impacte negativamente a trajetória de convergência da inflação para a meta.


IPCA

As projeções para o IPCA em 2026 apresentaram uma nova redução, passando de 5,12% para 5,03%, após 5 semanas consecutivas de ajustes de baixa, sinalizando um alívio mais consistente nas expectativas de inflação. Para 2027, a previsão permaneceu estável em 4,22%, refletindo um cenário de desaceleração gradual da inflação. Nos meses de julho, agosto e setembro de 2026, as variações mensais projetadas são de 0,08%, -0,17% e 0,50%, respectivamente, sugerindo certa volatilidade sazonal, com uma leve deflação esperada para agosto. Para os anos seguintes, como 2028 e 2029, as projeções indicam taxas em torno de 3,80% e 3,50%, respectivamente.


PIB

O crescimento do PIB para 2026 permaneceu estável em 1,99%, sem alterações significativas nas últimas 5 semanas, indicando uma resiliência da atividade econômica apesar do aperto monetário. Por outro lado, para 2027, a expectativa foi revisada para baixo, caindo de 1,60% para 1,57% (2ª semana consecutiva de queda), sinalizando maior cautela com o crescimento de médio prazo e os efeitos defasados da política monetária. Para 2028 e 2029, as projeções seguem estáveis em 2,00%, sujeitas a revisões conforme novos dados sejam incorporados.


Câmbio

A taxa de câmbio para 2026 permaneceu estável em R$ 5,20/US$ (7ª semana seguida sem alterações), refletindo um relativo equilíbrio no curto prazo. Para 2027, a projeção apresentou uma leve valorização do real, passando de R$ 5,29/US$ para R$ 5,28/US$, indicando uma manutenção do nível atual no médio prazo.


Selic

A taxa Selic teve sua projeção para o fim de 2026 reduzida, passando de 14,00% para 13,75% ao ano, refletindo a percepção do mercado de que o ciclo de aperto monetário pode ter atingido o pico e que os cortes podem começar a ser precificados com mais força. Para 2027, a expectativa de corte permaneceu estável em 12,00%, sinalizando que o mercado já precifica um ciclo de flexibilização monetária lento e cauteloso. Para 2028 e 2029, as projeções indicam reduções graduais, com taxas em 10,50% e 10,00%, respectivamente.


IGP-M

O IGP-M projetou uma alta de 4,54% para 2026, apresentando uma queda acentuada em relação à semana passada (de 5,42% para 4,54%), após 5 semanas consecutivas de diminuição nas projeções, o que indica um alívio significativo nas pressões de preços de commodities e serviços. Para 2027, a previsão permaneceu estável em 4,16%, alinhando-se à expectativa de desaceleração gradual no longo prazo. Para os anos seguintes, as projeções indicam taxas em torno de 3,97% e 3,90%, ainda acima do nível considerado neutro para a economia.


Resumo

O Boletim Focus de 31 de julho de 2026 mostra um cenário de melhora nas expectativas de curto prazo para a inflação brasileira. O IPCA e o IGP-M de 2026 apresentam quedas consecutivas expressivas, aproximando-se de patamares mais confortáveis, embora ainda distantes da meta. O mercado começou a precificar um leve alívio na Selic para o fim de 2026 (13,75%), enquanto o PIB de 2026 segue estável, mas o crescimento de 2027 já mostra sinais de maior cautela com a revisão para baixo. O câmbio mantém relativa estabilidade. Para os anos seguintes, as projeções sugerem que a convergência às metas de inflação continuará sendo um processo lento, dependente de um cenário fiscal mais favorável e de uma política monetária que, embora restritiva, já começa a vislumbrar um ciclo de afrouxamento.


Mais detalhes sobre o Boletim Focus

O Relatório de Mercado Focus divulgado pelo Banco Central do Brasil em 31 de julho de 2026 apresenta as expectativas medianas dos analistas de mercado para os principais indicadores macroeconômicos brasileiros. O documento consolida as projeções agregadas para os anos de 2026, 2027, 2028 e 2029, além de oferecer um detalhamento de curto prazo para os meses de julho, agosto e setembro de 2026 e para a inflação acumulada em doze meses suavizada. As informações a seguir concentram-se nos cinco indicadores solicitados — IPCA, PIB Total, Câmbio, Selic e IGP-M —, destacando as medianas atuais, as revisões em relação às semanas anteriores e a evolução esperada ao longo do horizonte projetado.

No que se refere ao Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a mediana das expectativas para o ano de 2026 registrou nova redução, passando de 5,12% na semana anterior para 5,03% na coleta atual. Essa queda de 0,09 ponto percentual marca a quinta semana consecutiva de revisão para baixo e coloca a projeção bem abaixo dos 5,30% observados quatro semanas atrás. Para 2027, a mediana manteve-se estável em 4,22%, embora o valor de cinco dias úteis tenha avançado levemente para 4,27%. Em 2028, a expectativa permanece em 3,80%, e para 2029 a mediana se estabiliza em 3,50%, nível que já se observa há 48 semanas. No horizonte mais imediato, as projeções mensais revelam uma trajetória de desaceleração significativa: a mediana para julho de 2026 caiu de 0,20% para 0,08%, com quatro semanas seguidas de redução; para agosto a expectativa é de deflação de 0,17%, também em trajetória de queda há oito semanas; e para setembro a mediana fica em 0,50%. A inflação acumulada em doze meses suavizada, por sua vez, encontra-se em 4,19%, praticamente estável em relação à semana anterior.

O PIB Total apresenta um quadro de crescimento moderado e relativamente estável. Para 2026, a mediana das projeções permanece em 1,99% há cinco semanas, com a coleta de cinco dias úteis apontando para 2,00%. Em 2027, entretanto, houve nova revisão para baixo: a mediana recuou de 1,60% para 1,57%, a segunda semana consecutiva de redução, e o valor de cinco dias úteis situa-se em 1,50%. Para 2028 e 2029 as expectativas se estabilizam em 2,00%, níveis que se mantêm inalterados há 125 e 72 semanas, respectivamente. Essa configuração indica que o mercado espera uma recuperação gradual da atividade após 2027, com o crescimento se aproximando de 2% a partir de 2028.

No mercado de câmbio, a mediana da taxa de câmbio (R/US /US /US) para o final de 2026 permanece estável em 5,20 há sete semanas. Para 2027, a projeção recuou levemente de 5,29% para 5,28%, primeira semana de redução. Em 2028 a mediana se estabiliza em 5,30%, enquanto para 2029 o mercado elevou a expectativa de 5,37 para 5,39, primeira alta em várias semanas. No curto prazo, a mediana para o câmbio em julho de 2026 encontra-se em torno de 5,12–5,13, para agosto em 5,12 e para setembro em 5,15, com leve tendência de apreciação do real em relação às semanas anteriores. O quadro geral sugere que o mercado não antecipa grandes movimentos desordenados da moeda no horizonte de médio prazo, embora a trajetória de 2029 indique uma expectativa de desvalorização gradual do real.

A taxa Selic apresenta uma trajetória de queda consistente ao longo dos anos. Para o final de 2026, a mediana das expectativas caiu de 14,00% para 13,75%, primeira redução após período de estabilidade, com o valor de cinco dias úteis também em 13,75%. Em 2027 a projeção se mantém em 12,00%, embora a coleta de cinco dias úteis aponte para 12,25%. Para 2028 a mediana permanece em 10,50%, e para 2029 se estabiliza em 10,00%, nível observado há treze semanas. No horizonte mensal, a Selic é projetada em 14,00% tanto para agosto quanto para setembro de 2026, com a coleta de cinco dias úteis de setembro já indicando 13,75%. Esses números reforçam a percepção de que o ciclo de afrouxamento monetário deve continuar de forma gradual, levando a taxa básica de juros a patamares de dois dígitos ainda em 2027 e a 10% ao final de 2029.

Por fim, o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) mostra uma queda mais acentuada no curto prazo e uma convergência mais lenta no médio prazo. Para 2026, a mediana das expectativas sofreu forte revisão para baixo, passando de 5,42% na semana anterior para 4,54% na coleta atual, quinta semana consecutiva de redução e bem abaixo dos 5,68% de quatro semanas atrás. Em 2027 a mediana se estabiliza em 4,16%, enquanto para 2028 e 2029 as projeções ficam em 3,97% e 3,90%, respectivamente. No detalhamento mensal, a mediana para julho de 2026 apresenta forte volatilidade, com a leitura da semana anterior em –0,60%, enquanto agosto aponta alta de 0,31% e setembro de 0,46%, ambas em trajetória de elevação há três semanas. A inflação acumulada em doze meses suavizada do IGP-M encontra-se em 4,77%, com três semanas consecutivas de alta e valor de cinco dias úteis em 4,99%.

Em conjunto, as expectativas coletadas em 31 de julho de 2026 revelam um cenário de desinflação gradual do IPCA, crescimento do PIB em torno de 1,5% a 2,0% no médio prazo, câmbio relativamente estável com leve viés de alta no final do horizonte, e trajetória de queda da Selic que deve levar a taxa básica a 10% ao final de 2029. O IGP-M, embora mais volátil no curto prazo, também apresenta tendência de moderação ao longo dos próximos anos. As revisões recentes, especialmente as sucessivas quedas nas projeções de IPCA e IGP-M para 2026 e a primeira redução da Selic para o final deste ano, sugerem que o mercado está incorporando um ambiente de maior acomodação da política monetária e de controle gradual das pressões inflacionárias.

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