Boletim Focus 05/01/2026: Inflação Cai, Selic e Câmbio estável.

O que o último Boletim Focus Projeta para o Brasil

O Boletim Focus de 5 de janeiro de 2026 reforça um cenário de transição para a economia brasileira. Em 2025, a inflação segue acima da meta, enquanto o PIB avança modestamente. O câmbio mantém estabilidade, e a Selic permanece elevada, com cortes esperados apenas a partir de 2026. O IGP-M acompanha a trajetória do IPCA, com desaceleração gradual. Para os anos seguintes, as projeções sugerem uma convergência mais clara às metas de inflação e uma recuperação econômica lenta, porém sustentável, desde que os desafios fiscais e externos sejam equacionados.


IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo)

O IPCA, índice oficial que mede a inflação no Brasil, apresenta projeções relevantes para os anos de 2025 e 2026. Para 2025, a expectativa é de uma variação de 4,99%, um recuo em relação à previsão anterior de 5,01%, conforme indicado por ▼(1). Esse comportamento reflete pressões inflacionárias ainda presentes na economia, especialmente nos preços administrados, cuja variação projetada para 2025 caiu para 4,94%, um recuo em relação à previsão anterior de 4,96%, conforme indicado por ▼(1). Já para 2026, a expectativa é de estabilidade, com o IPCA projetado em 4,45%, uma redução em relação à previsão anterior de 4,47%, conforme indicado por ▼(1). Nos meses iniciais de 2026, as projeções mensais mostram moderação, com variações de 0,42% em dezembro e 0,38% em janeiro. A inflação acumulada nos últimos 12 meses apresenta sinais de desaceleração, caindo de 5,01% para 4,99% até fevereiro de 2026.


PIB (Produto Interno Bruto)

As projeções para o PIB brasileiro indicam um crescimento positivo para os próximos anos. Para 2025, a mediana das expectativas aponta para um crescimento de 2,00% em relação ao ano anterior, sem alterações significativas em relação à previsão anterior, conforme indicado por (1). Esse cenário sugere uma leve melhora na atividade econômica, influenciada por políticas fiscais mais equilibradas e uma demanda interna mais resiliente. Para 2026, a expectativa é de um crescimento ainda mais robusto, com o PIB variando 1,70% sobre o ano anterior, um aumento em relação à previsão anterior de 1,61%, conforme indicado por ▲(1). Nos anos seguintes, as projeções indicam uma recuperação gradual, mas ainda insuficiente para retornar a patamares mais robustos de expansão econômica, com variações projetadas de 2,00% tanto para 2027 quanto para 2028.


Câmbio (R$/US$)

O mercado projeta estabilidade no câmbio para os próximos anos. Para 2025, a taxa de câmbio é esperada em R$ 5,90 por dólar, refletindo leve valorização do real em relação à previsão anterior de R$ 5,95, conforme indicado por ▼(1). Para 2026, a expectativa é de estabilidade em R$ 5,90 por dólar, com tendência de equilíbrio entre oferta e demanda por moeda estrangeira. No curto prazo, a projeção para dezembro de 2025 indica uma taxa de R$ 5,85, com tendência de estabilidade nos meses subsequentes.


Selic (Taxa Básica de Juros)

A Selic, principal instrumento de política monetária do Banco Central, permanece em níveis elevados para conter as pressões inflacionárias. Para 2025, a mediana das expectativas indica que a Selic permanecerá em 15,00% ao ano, sem alterações significativas nas últimas semanas, conforme indicado por (18). Para 2026, a expectativa de corte gradual segue em 12,50% ao ano, com perspectiva de redução para 10,00% até 2028. Nos meses iniciais de 2026, a Selic mantém-se estável em 14,75% ao ano, sem alterações nas últimas semanas.


IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado)

O IGP-M, amplamente utilizado no reajuste de contratos, também apresenta projeções relevantes. Para 2025, a expectativa é de uma variação de 4,84%, um recuo em relação à previsão anterior de 4,86%, conforme indicado por ▼(1). Para 2026, a projeção é de estabilidade, com o índice variando 4,68%, um aumento em relação à previsão anterior de 4,70%, conforme indicado por ▲(1). Nos meses iniciais de 2026, as projeções mensais mostram estabilidade, com variações de 0,02% em dezembro e 0,33% em janeiro. A inflação acumulada nos últimos 12 meses também apresenta sinais de moderação, com uma alta de 5,15% para 5,18% até fevereiro de 2026.


Resultado Nominal (% do PIB)

O resultado nominal do governo federal, expresso como percentual do PIB, também foi atualizado. Para 2025, a expectativa é de um déficit de -8,50% do PIB, uma queda em relação à previsão anterior de -8,45%, conforme indicado por ▼(1). Para 2026, a projeção é de um déficit menor, com -8,40% do PIB, um aumento em relação à previsão anterior de -8,45%, conforme indicado por ▲(1). Esses números refletem esforços contínuos para controlar as despesas públicas e melhorar a sustentabilidade fiscal.


Conclusão

Essa análise detalhada dos principais indicadores econômicos revela um cenário de ajustes graduais, com desafios no curto prazo, mas perspectivas de estabilização nos anos seguintes. Apesar das pressões inflacionárias e do crescimento econômico modesto, as projeções para 2026 e anos subsequentes sinalizam moderação da inflação e redução gradual da Selic, sugerindo um horizonte de maior estabilidade. O equilíbrio cambial e a convergência do IGP-M ao IPCA reforçam a expectativa de normalização dos indicadores econômicos. Além disso, o resultado nominal do governo mostra avanços na gestão fiscal, embora ainda haja espaço para melhorias significativas.


Mais detalhes sobre o Boletim Focus

IPCA – Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo

As expectativas inflacionárias captadas pelo Boletim Focus evidenciam uma deterioração consistente no cenário de preços para o Brasil. Para o ano de 2025, a mediana das projeções aponta para um IPCA de 4,31%, apresentando uma trajetória de queda nas últimas semanas, com redução de oito semanas consecutivas desde o patamar de 4,40% observado há quatro semanas. Este valor encontra-se significativamente acima do teto da meta de inflação estabelecida pelo Banco Central, que é de 3,00% com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, situando-se portanto acima do limite superior de 4,50%. A pesquisa contou com a participação de 152 respondentes nos últimos trinta dias e 42 respondentes nos últimos cinco dias úteis, demonstrando ampla cobertura do mercado.

Para 2026, as projeções indicam um IPCA de 4,06%, representando um leve aumento em relação à semana anterior, quando estava em 4,05%, após uma semana de estabilidade. Este patamar também se mantém acima do centro da meta, sinalizando que o mercado não espera uma convergência rápida da inflação para o objetivo do Banco Central. A pesquisa para este ano contou com 150 respondentes nos últimos trinta dias e 40 nos últimos cinco dias úteis.

Olhando para 2027, a mediana permanece estável em 3,80% há nove semanas consecutivas, com 137 respondentes, aproximando-se do teto da meta e sugerindo uma normalização gradual do processo inflacionário. Para 2028, as expectativas também se mantêm estáveis em 3,50% há nove semanas, com 117 respondentes, indicando uma convergência mais próxima ao centro da meta de inflação no horizonte mais longo.

No curto prazo, as projeções mensais revelam ajustes importantes. Para dezembro de 2025, a expectativa caiu de 0,44% há quatro semanas para 0,37% atualmente, mantendo tendência de queda por cinco semanas consecutivas. Para janeiro de 2026, a projeção permanece em 0,36%, estável há uma semana, enquanto fevereiro de 2026 mantém-se em 0,53%, também estável há uma semana. A inflação acumulada em doze meses suavizada apresenta leve alta, passando de 4,01% para 4,02% na última semana, após duas semanas de aumento, com 139 respondentes participando desta projeção.

PIB – Produto Interno Bruto

As expectativas para o crescimento econômico brasileiro mostram relativa estabilidade, porém com sinais de desaceleração nos anos subsequentes. Para 2025, a mediana das projeções aponta para um crescimento de 2,26% do PIB, mantendo-se estável em relação à semana anterior, com 120 respondentes nos últimos trinta dias e 25 nos últimos cinco dias úteis. Este resultado sugere que o mercado mantém uma visão moderadamente positiva sobre o desempenho da economia brasileira no ano corrente, embora com certa cautela.

Para 2026, as projeções indicam uma desaceleração significativa, com crescimento estimado em 1,80%, valor que se mantém estável há quatro semanas consecutivas. A pesquisa contou com 119 respondentes nos últimos trinta dias e 26 nos últimos cinco dias úteis. Esta redução no ritmo de crescimento reflete as preocupações do mercado com os efeitos da política monetária mais restritiva e com possíveis desafios fiscais que podem impactar a atividade econômica.

Para 2027, a expectativa também se mantém em 1,80%, estável há uma semana, com 93 respondentes, sugerindo que o mercado não antecipa uma recuperação significativa do crescimento no médio prazo. Já para 2028, as projeções apontam para um crescimento de 2,00%, mantendo-se estável há expressivas noventa e cinco semanas consecutivas, com 88 respondentes, indicando uma visão de longo prazo mais otimista, embora ainda moderada, sobre o potencial de crescimento da economia brasileira.

Câmbio

As expectativas cambiais revelam uma pressão persistente sobre o real brasileiro frente ao dólar americano. Para o final de 2025, não há projeção disponível no relatório atual, mas observa-se uma trajetória de desvalorização nas semanas anteriores, com a mediana passando de 5,40 reais por dólar há quatro semanas para 5,44 reais por dólar há uma semana.

Para 2026, a mediana das expectativas aponta para um câmbio de 5,50 reais por dólar, mantendo-se estável há doze semanas consecutivas, com 124 respondentes nos últimos trinta dias e 32 nos últimos cinco dias úteis. Este patamar representa uma desvalorização significativa em relação aos níveis historicamente observados e reflete as preocupações do mercado com o cenário fiscal brasileiro, a política monetária americana e os fluxos de capital.

Para 2027, a projeção permanece em 5,50 reais por dólar, estável há dez semanas, com 100 respondentes, enquanto para 2028, a expectativa sobe ligeiramente para 5,52 reais por dólar, com leve aumento em relação à semana anterior, após uma semana de estabilidade, contando com 87 respondentes. Esta trajetória sugere que o mercado não antecipa uma apreciação significativa do real no horizonte de médio e longo prazo.

No curto prazo, para dezembro de 2025, não há projeção disponível no relatório. Para janeiro de 2026, a expectativa é de 5,43 reais por dólar, estável há uma semana, com 119 respondentes, e para fevereiro de 2026, mantém-se também em 5,43 reais por dólar, estável há uma semana, com 118 respondentes.

SELIC – Taxa Básica de Juros

As expectativas para a taxa Selic demonstram um ciclo de aperto monetário significativo em curso. Para o final de 2025, a mediana aponta para uma taxa de 15,00% ao ano, refletindo a necessidade do Banco Central de combater as pressões inflacionárias persistentes. Este patamar representa um dos níveis mais elevados da taxa básica de juros nos últimos anos e evidencia a preocupação da autoridade monetária com o controle da inflação.

Para 2026, a expectativa é de uma Selic em 12,25% ao ano, mantendo-se estável há duas semanas, com 147 respondentes nos últimos trinta dias e 39 nos últimos cinco dias úteis. Esta projeção indica que o mercado antecipa um ciclo de cortes na taxa de juros ao longo do ano, à medida que a inflação comece a convergir para a meta, embora ainda em patamar elevado.

Para 2027, a mediana aponta para uma Selic de 10,50% ao ano, estável há expressivas quarenta e sete semanas consecutivas, com 122 respondentes, sugerindo uma normalização gradual da política monetária. Para 2028, a expectativa é de 9,75% ao ano, com leve aumento em relação à semana anterior, após duas semanas de estabilidade, contando com 105 respondentes. Este nível ainda se mantém acima da média histórica recente, refletindo a percepção do mercado sobre a necessidade de manutenção de juros reais elevados para garantir o controle inflacionário.

No curto prazo, para dezembro de 2025 e janeiro de 2026, não há projeções disponíveis no relatório, mas para janeiro de 2026, a expectativa é de que a Selic permaneça em 15,00% ao ano, estável há quatro semanas, com 145 respondentes, indicando que o mercado não antecipa mudanças imediatas na política monetária.

IGP-M – Índice Geral de Preços do Mercado

As expectativas para o IGP-M, índice amplamente utilizado para reajustes de contratos de aluguel e tarifas públicas, apresentam uma dinâmica diferenciada em relação ao IPCA. Para 2025, a mediana das projeções aponta para uma deflação de 0,80% há uma semana, embora não haja dado atual disponível no relatório. Este resultado negativo reflete principalmente o comportamento dos preços no atacado, que têm peso significativo na composição do índice.

Para 2026, a expectativa é de um IGP-M de 3,95%, com leve queda em relação à semana anterior, após uma semana de estabilidade, contando com 75 respondentes nos últimos trinta dias e 21 nos últimos cinco dias úteis. Para 2027, a projeção permanece estável em 4,00% há cinquenta e uma semanas consecutivas, com 67 respondentes, enquanto para 2028, a expectativa é de 3,85%, estável há cinco semanas, com 63 respondentes.

No curto prazo, as projeções mensais mostram ajustes importantes. Para dezembro de 2025, não há dado atual disponível, mas observou-se uma trajetória de queda de 0,43% há quatro semanas para 0,24% há uma semana. Para janeiro de 2026, a expectativa é de 0,33%, estável há duas semanas, com 69 respondentes, e para fevereiro de 2026, mantém-se em 0,32%, também estável há duas semanas, com 69 respondentes. A inflação acumulada em doze meses suavizada apresenta leve alta, passando de 3,93% para 3,94% na última semana, após duas semanas de aumento, com 64 respondentes.

Este panorama consolidado das expectativas de mercado revela um cenário macroeconômico desafiador para o Brasil, com inflação persistentemente acima da meta, necessidade de manutenção de juros elevados, pressão cambial sobre o real e crescimento econômico moderado, exigindo atenção cuidadosa das autoridades econômicas e ajustes nas políticas fiscal e monetária para garantir a estabilidade e o crescimento sustentável da economia brasileira.

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