Boletim Focus 06/04/2026: Inflação em alta, Câmbio e Selic estável.

O que o último Boletim Focus Projeta para o Brasil:

O Boletim Focus de 6 de abril de 2026 reforça um cenário de transição para a economia brasileira. Em 2026, a inflação segue acima da meta, enquanto o PIB avança modestamente. O câmbio mantém estabilidade, e a Selic permanece elevada, com cortes esperados apenas a partir de 2027. O IGP-M acompanha a trajetória do IPCA, com desaceleração gradual. Para os anos seguintes, as projeções sugerem uma convergência mais clara às metas de inflação e uma recuperação econômica lenta, porém sustentável, desde que os desafios fiscais e externos sejam equacionados.


IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo)

O IPCA, índice oficial que mede a inflação no Brasil, apresenta projeções relevantes para os anos de 2025 e 2026. Para 2025, a expectativa é de uma variação de 4,36%, um aumento em relação à previsão anterior de 4,31%, conforme indicado por ▲(4). Esse comportamento reflete pressões inflacionárias ainda presentes na economia, especialmente nos preços administrados, cuja variação projetada para 2025 aumentou para 4,50%, um aumento em relação à previsão anterior de 4,31%, conforme indicado por ▲(4). Já para 2026, a expectativa é de estabilidade, com o IPCA projetado em 3,85%, um aumento em relação à previsão anterior de 3,80%, conforme indicado por ▲(2). Nos meses iniciais de 2025, as projeções mensais mostram moderação, com variações de 0,39% em março e 0,35% em abril. A inflação acumulada nos últimos 12 meses apresenta sinais de desaceleração, caindo de 4,31% para 4,36% até maio de 2025.


PIB (Produto Interno Bruto)

As projeções para o PIB brasileiro indicam um crescimento positivo para os próximos anos. Para 2025, a mediana das expectativas aponta para um crescimento de 2,00% em relação ao ano anterior, sem alterações significativas em relação à previsão anterior, conforme indicado por (1). Esse cenário sugere uma leve melhora na atividade econômica, influenciada por políticas fiscais mais equilibradas e uma demanda interna mais resiliente. Para 2026, a expectativa é de um crescimento ainda mais robusto, com o PIB variando 2,00% sobre o ano anterior, um aumento em relação à previsão anterior de 1,90%, conforme indicado por ▲(1). Nos anos seguintes, as projeções indicam uma recuperação gradual, mas ainda insuficiente para retornar a patamares mais robustos de expansão econômica, com variações projetadas de 2,00% tanto para 2027 quanto para 2028.


Câmbio (R$/US$)

O mercado projeta estabilidade no câmbio para os próximos anos. Para 2025, a taxa de câmbio é esperada em R$ 5,90 por dólar, refletindo leve valorização do real em relação à previsão anterior de R$ 5,95, conforme indicado por ▼(1). Para 2026, a expectativa é de estabilidade em R$ 5,90 por dólar, com tendência de equilíbrio entre oferta e demanda por moeda estrangeira. No curto prazo, a projeção para março de 2025 indica uma taxa de R$ 5,85, com tendência de estabilidade nos meses subsequentes.


Selic (Taxa Básica de Juros)

A Selic, principal instrumento de política monetária do Banco Central, permanece em níveis elevados para conter as pressões inflacionárias. Para 2025, a mediana das expectativas indica que a Selic permanecerá em 12,50% ao ano, sem alterações significativas nas últimas semanas, conforme indicado por (18). Para 2026, a expectativa de corte gradual segue em 10,00% ao ano, com perspectiva de redução para 8,00% até 2028. Nos meses iniciais de 2025, a Selic mantém-se estável em 12,25% ao ano, sem alterações nas últimas semanas.


IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado)

O IGP-M, amplamente utilizado no reajuste de contratos, também apresenta projeções relevantes. Para 2025, a expectativa é de uma variação de 5,45%, um aumento em relação à previsão anterior de 5,23%, conforme indicado por ▲(1). Para 2026, a projeção é de estabilidade, com o índice variando 3,96%, um aumento em relação à previsão anterior de 3,80%, conforme indicado por ▲(2). Nos meses iniciais de 2025, as projeções mensais mostram estabilidade, com variações de 0,02% em março e 0,41% em abril. A inflação acumulada nos últimos 12 meses também apresenta sinais de moderação, com uma alta de 5,23% para 5,45% até maio de 2025.


Resultado Nominal (% do PIB)

O resultado nominal do governo federal, expresso como percentual do PIB, também foi atualizado. Para 2025, a expectativa é de um déficit de -8,50% do PIB, uma queda em relação à previsão anterior de -8,51%, conforme indicado por ▼(1). Para 2026, a projeção é de um déficit menor, com -8,40% do PIB, um aumento em relação à previsão anterior de -8,45%, conforme indicado por ▲(1). Esses números refletem esforços contínuos para controlar as despesas públicas e melhorar a sustentabilidade fiscal.


Conclusão

Essa análise detalhada dos principais indicadores econômicos revela um cenário de ajustes graduais, com desafios no curto prazo, mas perspectivas de estabilização nos anos seguintes. Apesar das pressões inflacionárias e do crescimento econômico modesto, as projeções para 2026 e anos subsequentes sinalizam moderação da inflação e redução gradual da Selic, sugerindo um horizonte de maior estabilidade. O equilíbrio cambial e a convergência do IGP-M ao IPCA reforçam a expectativa de normalização dos indicadores econômicos. Além disso, o resultado nominal do governo mostra avanços na gestão fiscal, embora ainda haja espaço para melhorias significativas.


Mais detalhes sobre o Boletim Focus

IPCA – Índice de Preços ao Consumidor Amplo

O IPCA é o principal indicador de inflação utilizado pelo Banco Central para o regime de metas. As expectativas de mercado para este indicador revelam um cenário de inflação elevada no curto prazo, com tendência de moderação ao longo dos próximos anos.

Para 2026, a mediana das expectativas aponta para uma variação de 4,36% no IPCA, representando um aumento em relação às projeções de quatro semanas atrás, que eram de 3,91%. Isso indica que o mercado vem revisando suas expectativas inflacionárias para cima, refletindo pressões inflacionárias mais persistentes do que o esperado anteriormente. Com 154 respondentes nos últimos 30 dias, essa projeção possui uma base sólida de consenso entre os analistas.

Para 2027, a expectativa de inflação cai para 3,85%, representando uma moderação significativa em relação ao ano anterior. Essa redução reflete a expectativa de que as pressões inflacionárias atuais sejam transitórias e que as medidas de política monetária comecem a surtir efeito. A mediana permaneceu estável na última semana, com 148 respondentes contribuindo para essa estimativa.

Em 2028, o IPCA é projetado em 3,60%, continuando a trajetória de moderação. Essa projeção está alinhada com a meta de inflação do Banco Central, sugerindo que o mercado espera um retorno à estabilidade de preços. A variação de três semanas de aumento indica que houve pequenas revisões para cima, mas o indicador permanece dentro de um patamar controlado.

Para 2029, as expectativas convergem para 3,50%, representando uma estabilização da inflação em um nível próximo à meta de médio prazo. Essa projeção sugere que o mercado acredita em uma normalização completa do cenário inflacionário ao longo do período analisado.

PIB – Produto Interno Bruto

O PIB é o principal indicador de crescimento econômico e reflete a saúde geral da economia brasileira. As projeções para o crescimento do PIB revelam um cenário de expansão moderada, com taxas consistentes ao longo dos próximos anos.

Para 2026, a expectativa de crescimento do PIB é de 1,85% em relação ao ano anterior. Essa projeção permaneceu estável na última semana, com apenas uma variação de -1 semana em relação ao comportamento anterior. Com 115 respondentes, o consenso de mercado aponta para um crescimento modesto, refletindo um cenário econômico de recuperação gradual. Essa taxa de crescimento é considerada baixa em termos históricos, sugerindo que a economia brasileira enfrenta desafios estruturais que limitam a expansão mais robusta.

Para 2027, o PIB é projetado em 1,80%, representando uma ligeira desaceleração em relação a 2026. Essa redução marginal reflete a expectativa de que o ciclo de recuperação pós-crise comece a perder momentum, com a economia atingindo um patamar de crescimento mais próximo ao seu potencial de longo prazo. A estabilidade dessa projeção nas últimas semanas, com 109 respondentes, indica consenso razoável entre os analistas.

Em 2028, as expectativas apontam para um crescimento de 2,00%, representando uma aceleração em relação aos anos anteriores. Essa projeção sugere que o mercado espera uma melhoria nas condições econômicas, possivelmente impulsionada por reformas estruturais ou melhorias nas condições externas. No entanto, essa taxa ainda permanece modesta em comparação com os padrões históricos de crescimento brasileiro.

Para 2029, a expectativa de crescimento do PIB permanece em 2,00%, sugerindo uma estabilização em um patamar de crescimento moderado. Essa projeção indica que o mercado não espera aceleração significativa da economia nos próximos anos, refletindo um cenário de crescimento estruturalmente limitado.

Câmbio – Taxa de Câmbio Real/Dólar

A taxa de câmbio é um indicador crítico que afeta a competitividade das exportações brasileiras, o custo das importações e a inflação importada. As expectativas para o câmbio revelam uma trajetória de relativa estabilidade com tendência de apreciação da moeda brasileira.

Para 2026, a mediana das expectativas aponta para uma taxa de câmbio de R$ 5,40 por dólar americano. Essa projeção representa uma ligeira apreciação em relação às expectativas de quatro semanas atrás, que eram de R$ 5,41. Com 125 respondentes, o consenso de mercado sugere que o real tenderá a se apreciar modestamente ao longo do ano, refletindo expectativas de fluxos de capital positivos e estabilidade relativa da economia brasileira.

Para 2027, a taxa de câmbio é projetada em R$ 5,45 por dólar, representando uma pequena depreciação em relação a 2026. Essa mudança reflete a expectativa de que pressões inflacionárias internas possam levar a uma desvalorização gradual do real. Com 116 respondentes, essa projeção possui um consenso razoável, embora com maior dispersão de opiniões em relação ao ano anterior.

Em 2028, a expectativa de câmbio permanece em R$ 5,50 por dólar, sugerindo uma estabilização da taxa de câmbio em um patamar ligeiramente mais depreciado. Essa projeção indica que o mercado espera uma normalização da taxa de câmbio em um nível que reflita os fundamentos econômicos de longo prazo. Com 88 respondentes, o consenso é menos robusto, sugerindo maior incerteza sobre a trajetória cambial nesse horizonte.

Para 2029, a taxa de câmbio é projetada em R$ 5,50 por dólar, mantendo a estabilidade observada em 2028. Essa projeção sugere que o mercado espera uma convergência para um equilíbrio de longo prazo da taxa de câmbio, refletindo os diferenciais de inflação e produtividade entre Brasil e Estados Unidos.

SELIC – Sistema Especial de Liquidação e de Custódia

A SELIC é a taxa básica de juros da economia brasileira e é o principal instrumento de política monetária do Banco Central. As expectativas para a SELIC revelam um cenário de redução gradual das taxas de juros ao longo do período analisado.

Para 2026, a mediana das expectativas aponta para uma taxa SELIC de 12,50% ao ano. Essa projeção permaneceu estável na última semana, com apenas uma variação de -2 semanas em relação ao comportamento anterior. Com 150 respondentes, o consenso de mercado é muito robusto, indicando que os analistas esperam que o Banco Central mantenha uma postura restritiva de política monetária para combater as pressões inflacionárias. Essa taxa elevada reflete o cenário de inflação acima da meta observado no início de 2026.

Para 2027, a SELIC é projetada em 10,50% ao ano, representando uma redução significativa de 200 pontos base em relação a 2026. Essa queda reflete a expectativa de que as pressões inflacionárias diminuam ao longo de 2026, permitindo que o Banco Central inicie um ciclo de redução de juros. Com 146 respondentes, o consenso é muito forte, sugerindo que o mercado acredita firmemente em um afrouxamento das condições monetárias no médio prazo.

Em 2028, a taxa SELIC é projetada em 10,00% ao ano, representando uma redução adicional de 50 pontos base em relação a 2027. Essa queda mais modesta reflete a expectativa de que o processo de desinflação desacelere, levando a um ritmo mais lento de redução de juros. Com 111 respondentes, o consenso permanece robusto, embora com alguma dispersão de opiniões.

Para 2029, a SELIC é projetada em 9,75% ao ano, representando uma estabilização em um patamar de juros moderado. Essa projeção sugere que o mercado espera uma convergência para uma taxa de juros de equilíbrio de longo prazo, que reflete o crescimento potencial da economia e as expectativas de inflação de médio prazo.

IGP-M – Índice Geral de Preços do Mercado

O IGP-M é um indicador de inflação de preços no atacado e é importante para entender as pressões inflacionárias em estágios anteriores da cadeia produtiva. As expectativas para o IGP-M revelam um cenário de inflação mais elevada em comparação com o IPCA, refletindo pressões nos preços de commodities e custos de produção.

Para 2026, a mediana das expectativas aponta para uma variação de 3,73% no IGP-M. Essa projeção representa um aumento significativo em relação às expectativas de quatro semanas atrás, que eram de 3,19%, indicando que o mercado vem revisando suas expectativas de inflação de preços no atacado para cima. Com apenas 71 respondentes, o consenso é menos robusto do que para o IPCA, sugerindo maior dispersão de opiniões entre os analistas. Essa elevação reflete pressões nos preços de commodities e custos de insumos.

Para 2027, o IGP-M é projetado em 4,00%, representando um aumento em relação a 2026. Essa projeção sugere que o mercado espera pressões inflacionárias mais persistentes nos preços no atacado, possivelmente relacionadas a fatores externos como oscilações nas cotações de commodities. Com 64 respondentes, o consenso é menos robusto, indicando maior incerteza sobre a trajetória do IGP-M nesse horizonte.

Em 2028, o IGP-M é projetado em 3,85%, representando uma ligeira redução em relação a 2027. Essa projeção indica que o mercado espera uma moderação gradual nas pressões inflacionárias de preços no atacado. A variação de uma semana para baixo sugere uma pequena revisão nas expectativas, mas o indicador permanece em um patamar elevado. Com 59 respondentes, o consenso é ainda menos robusto.

Para 2029, o IGP-M é projetado em 3,75%, representando uma estabilização em um patamar moderado. Essa projeção sugere que o mercado espera uma convergência para um nível de inflação de preços no atacado mais próximo ao do IPCA, refletindo uma normalização das pressões inflacionárias na economia.

Conclusão

O Boletim Focus de 6 de abril de 2026 apresenta um cenário econômico caracterizado por inflação elevada no curto prazo com expectativa de moderação gradual, crescimento econômico modesto e consistente, estabilidade relativa da taxa de câmbio, redução progressiva das taxas de juros e pressões inflacionárias nos preços no atacado. O mercado espera que as autoridades monetárias mantenham uma postura restritiva em 2026 para combater as pressões inflacionárias, seguida por um afrouxamento gradual das condições monetárias nos anos subsequentes. Esse cenário reflete expectativas de uma economia em recuperação moderada, mas com desafios estruturais que limitam o crescimento mais robusto.

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