O que o último Boletim Focus Projeta para o Brasil
O Boletim Focus de 19 de janeiro de 2026 reforça um cenário de transição para a economia brasileira. Em 2026, a inflação segue acima da meta, enquanto o PIB avança modestamente. O câmbio mantém estabilidade, e a Selic permanece elevada, com cortes esperados apenas a partir de 2027. O IGP-M acompanha a trajetória do IPCA, com desaceleração gradual. Para os anos seguintes, as projeções sugerem uma convergência mais clara às metas de inflação e uma recuperação econômica lenta, porém sustentável, desde que os desafios fiscais e externos sejam equacionados.
IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo)
O IPCA, índice oficial que mede a inflação no Brasil, apresenta projeções relevantes para os anos de 2026 e 2027. Para 2026, a expectativa é de uma variação de 4,49%, um recuo em relação à previsão anterior de 4,51%, conforme indicado por ▼(1). Esse comportamento reflete pressões inflacionárias ainda presentes na economia, especialmente nos preços administrados, cuja variação projetada para 2026 caiu para 4,70%, um recuo em relação à previsão anterior de 4,72%, conforme indicado por ▼(1). Já para 2027, a expectativa é de estabilidade, com o IPCA projetado em 4,52%, uma redução em relação à previsão anterior de 4,54%, conforme indicado por ▼(1). Nos meses iniciais de 2026, as projeções mensais mostram moderação, com variações de 0,38% em janeiro e 0,34% em fevereiro. A inflação acumulada nos últimos 12 meses apresenta sinais de desaceleração, caindo de 4,51% para 4,49% até março de 2026.
PIB (Produto Interno Bruto)
As projeções para o PIB brasileiro indicam um crescimento positivo para os próximos anos. Para 2026, a mediana das expectativas aponta para um crescimento de 1,70% em relação ao ano anterior, sem alterações significativas em relação à previsão anterior, conforme indicado por (1). Esse cenário sugere uma leve melhora na atividade econômica, influenciada por políticas fiscais mais equilibradas e uma demanda interna mais resiliente. Para 2027, a expectativa é de um crescimento ainda mais robusto, com o PIB variando 2,00% sobre o ano anterior, um aumento em relação à previsão anterior de 1,90%, conforme indicado por ▲(1). Nos anos seguintes, as projeções indicam uma recuperação gradual, mas ainda insuficiente para retornar a patamares mais robustos de expansão econômica, com variações projetadas de 2,00% tanto para 2028 quanto para 2029.
Câmbio (R$/US$)
O mercado projeta estabilidade no câmbio para os próximos anos. Para 2026, a taxa de câmbio é esperada em R$ 5,90 por dólar, refletindo leve valorização do real em relação à previsão anterior de R$ 5,95, conforme indicado por ▼(1). Para 2027, a expectativa é de estabilidade em R$ 5,90 por dólar, com tendência de equilíbrio entre oferta e demanda por moeda estrangeira. No curto prazo, a projeção para janeiro de 2026 indica uma taxa de R$ 5,85, com tendência de estabilidade nos meses subsequentes.
Selic (Taxa Básica de Juros)
A Selic, principal instrumento de política monetária do Banco Central, permanece em níveis elevados para conter as pressões inflacionárias. Para 2026, a mediana das expectativas indica que a Selic permanecerá em 12,50% ao ano, sem alterações significativas nas últimas semanas, conforme indicado por (18). Para 2027, a expectativa de corte gradual segue em 10,00% ao ano, com perspectiva de redução para 8,00% até 2028. Nos meses iniciais de 2026, a Selic mantém-se estável em 12,25% ao ano, sem alterações nas últimas semanas.
IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado)
O IGP-M, amplamente utilizado no reajuste de contratos, também apresenta projeções relevantes. Para 2026, a expectativa é de uma variação de 4,72%, um recuo em relação à previsão anterior de 4,74%, conforme indicado por ▼(1). Para 2027, a projeção é de estabilidade, com o índice variando 4,62%, um aumento em relação à previsão anterior de 4,64%, conforme indicado por ▲(1). Nos meses iniciais de 2026, as projeções mensais mostram estabilidade, com variações de 0,02% em janeiro e 0,35% em fevereiro. A inflação acumulada nos últimos 12 meses também apresenta sinais de moderação, com uma alta de 5,20% para 5,22% até março de 2026.
Resultado Nominal (% do PIB)
O resultado nominal do governo federal, expresso como percentual do PIB, também foi atualizado. Para 2026, a expectativa é de um déficit de -8,40% do PIB, uma queda em relação à previsão anterior de -8,45%, conforme indicado por ▼(1). Para 2027, a projeção é de um déficit menor, com -8,30% do PIB, um aumento em relação à previsão anterior de -8,35%, conforme indicado por ▲(1). Esses números refletem esforços contínuos para controlar as despesas públicas e melhorar a sustentabilidade fiscal.
Conclusão
Essa análise detalhada dos principais indicadores econômicos revela um cenário de ajustes graduais, com desafios no curto prazo, mas perspectivas de estabilização nos anos seguintes. Apesar das pressões inflacionárias e do crescimento econômico modesto, as projeções para 2027 e anos subsequentes sinalizam moderação da inflação e redução gradual da Selic, sugerindo um horizonte de maior estabilidade. O equilíbrio cambial e a convergência do IGP-M ao IPCA reforçam a expectativa de normalização dos indicadores econômicos. Além disso, o resultado nominal do governo mostra avanços na gestão fiscal, embora ainda haja espaço para melhorias significativas.
Mais detalhes sobre o Boletim Focus
IPCA – Inflação ao Consumidor
As expectativas para o IPCA demonstram uma trajetória de desaceleração gradual da inflação ao longo do horizonte de projeção, embora os números permaneçam acima da meta estabelecida pelo Banco Central. Para o ano de 2026, a mediana das expectativas situa-se em 4,02% ao ano, apresentando uma leve redução em relação à semana anterior, quando estava em 4,05%. Este movimento de queda vem ocorrendo há duas semanas consecutivas, com 150 respondentes contribuindo para esta projeção e 51 instituições atualizando suas estimativas nos últimos cinco dias úteis. É importante destacar que este patamar encontra-se significativamente acima do teto da meta de inflação, que é de 4,5% considerando a banda de tolerância, sinalizando preocupações persistentes com a dinâmica inflacionária.
Para 2027, as expectativas mantêm-se estáveis em 3,80% ao ano, sem alterações há onze semanas consecutivas. Este número conta com 139 respondentes no total e 44 atualizações recentes, indicando um consenso razoável entre os analistas de mercado sobre uma convergência mais próxima ao centro da meta de inflação neste horizonte temporal. A projeção sugere que os efeitos da política monetária contracionista começariam a surtir efeito mais pronunciado neste período.
Olhando para 2028, a mediana permanece ancorada em 3,50% ao ano, também sem variações há onze semanas, com 118 respondentes e participação ativa de analistas. Este patamar representa uma inflação mais comportada e alinhada com o centro da meta, sugerindo expectativas de normalização do ambiente inflacionário no médio prazo. Para 2029, a projeção mantém-se igualmente em 3,50% ao ano, estável há vinte semanas consecutivas, com 110 respondentes, reforçando a visão de que a inflação tenderia a se estabilizar em níveis compatíveis com a meta de longo prazo.
Analisando as projeções mensais de curto prazo, observa-se que para janeiro de 2026 a expectativa é de uma variação de 0,35% no mês, ligeiramente inferior aos 0,37% projetados há quatro semanas. Para fevereiro, espera-se uma aceleração para 0,53%, mantendo-se estável há três semanas, enquanto março deve apresentar alta de 0,35%, sem alterações há quinze semanas. A inflação acumulada em doze meses suavizada está projetada em 4,04%, mantendo-se estável na última semana, com 115 respondentes acompanhando este indicador.
PIB – Produto Interno Bruto
As expectativas para o crescimento econômico brasileiro revelam um cenário de desaceleração moderada, mas ainda positiva. Para 2026, a projeção mediana do PIB mantém-se em 1,80% de crescimento em relação ao ano anterior, estável há seis semanas consecutivas, com 118 respondentes e 39 atualizações recentes. Este número reflete uma economia em ritmo de expansão modesto, possivelmente impactada pela política monetária restritiva necessária para controlar a inflação e por incertezas no cenário externo.
Para 2027, as expectativas também se mantêm em 1,80% de crescimento, sem alterações há três semanas, contando com 91 respondentes e 30 contribuições recentes. A manutenção deste patamar sugere que o mercado não antecipa uma aceleração significativa da atividade econômica no curto prazo, possivelmente refletindo os efeitos defasados da política monetária contracionista sobre a demanda agregada.
Olhando para 2028, a projeção apresenta uma perspectiva ligeiramente mais otimista, com crescimento esperado de 2,00% ao ano. Esta expectativa mantém-se estável há noventa e sete semanas, com 85 respondentes, sinalizando uma visão consolidada de que a economia brasileira poderia retomar um ritmo de crescimento um pouco mais robusto no médio prazo, após a superação dos desafios inflacionários atuais. Para 2029, a mediana permanece em 2,00% de crescimento, estável há quarenta e quatro semanas, com 83 respondentes, reforçando a perspectiva de crescimento moderado mas sustentável no longo prazo.
Câmbio – Taxa de Câmbio Real/Dólar
As projeções para a taxa de câmbio revelam expectativas de depreciação moderada do real frente ao dólar americano ao longo do horizonte de análise. Para o final de 2026, a mediana das expectativas situa-se em R$ 5,50 por dólar, mantendo-se estável há quatorze semanas consecutivas, com 121 respondentes e 44 atualizações recentes. Este patamar representa uma desvalorização significativa em relação aos níveis históricos mais apreciados, refletindo tanto fatores domésticos quanto externos que pressionam a moeda brasileira.
Para 2027, a projeção também se mantém em R$ 5,50 por dólar, sem alterações há doze semanas, com 106 respondentes e 40 contribuições recentes. A estabilidade neste nível sugere que o mercado não antecipa movimentos bruscos na taxa de câmbio no médio prazo, possivelmente considerando um equilíbrio entre os fluxos de capitais e os fundamentos econômicos do país.
Para 2028, observa-se uma leve elevação nas expectativas, com a mediana em R$ 5,52 por dólar, praticamente estável há três semanas, contando com 87 respondentes. Esta pequena depreciação adicional pode refletir preocupações com a sustentabilidade fiscal de longo prazo ou ajustes estruturais na economia global. Para 2029, as projeções apontam para R$ 5,57 por dólar, estável há uma semana, com 83 respondentes, indicando uma trajetória gradual de depreciação nominal da moeda brasileira.
No curto prazo, as expectativas mensais mostram volatilidade contida. Para janeiro de 2026, projeta-se R$ 5,40 por dólar, com leve redução em relação à semana anterior. Para fevereiro, a expectativa é de R$ 5,41 por dólar, também com pequena queda semanal, enquanto março deve fechar em R$ 5,43 por dólar, igualmente apresentando redução marginal. Estes números sugerem alguma estabilização no curtíssimo prazo, possivelmente refletindo intervenções do Banco Central ou melhora temporária no ambiente de risco.
SELIC – Taxa Básica de Juros
As expectativas para a taxa Selic revelam um cenário de política monetária significativamente contracionista, com ajustes importantes ao longo do horizonte de projeção. Para o final de 2026, a mediana das expectativas situa-se em 12,25% ao ano, mantendo-se estável há quatro semanas consecutivas, com 146 respondentes e 51 atualizações recentes. Este patamar elevado reflete a necessidade percebida pelo mercado de manutenção de juros restritivos para combater a inflação persistente acima da meta, representando um dos níveis mais altos da taxa básica em anos recentes.
Para 2027, as projeções indicam uma redução para 10,50% ao ano, sem alterações há quarenta e nove semanas, com 128 respondentes e 45 contribuições recentes. Esta expectativa de queda de 175 pontos-base em relação a 2026 sugere que o mercado antecipa algum progresso no controle inflacionário, permitindo ao Banco Central iniciar um ciclo de afrouxamento monetário gradual, ainda que mantendo juros em território claramente restritivo.
Para 2028, observa-se uma mudança interessante nas expectativas, com a mediana subindo para 10,00% ao ano, apresentando alta há duas semanas consecutivas, com 108 respondentes. Este movimento de elevação, partindo de projeções anteriores de 9,75% e 9,88%, pode refletir reavaliações sobre a velocidade da desinflação ou preocupações com a necessidade de manter juros mais elevados por período prolongado. Para 2029, as expectativas situam-se em 9,50% ao ano, estáveis há doze semanas, com 104 respondentes, ainda representando um nível de juros reais significativamente positivos.
No curtíssimo prazo, as expectativas para janeiro de 2026 apontam para uma Selic de 15,00% ao ano, estável há seis semanas, com 143 respondentes, indicando consenso sobre a continuidade do aperto monetário em curso. Para março de 2026, projeta-se manutenção em 14,50% ao ano, estável há dezesseis semanas, também com 143 respondentes, sugerindo que o mercado antecipa o início de um ciclo de cortes ainda no primeiro trimestre do ano, embora em ritmo cauteloso.
IGP-M – Índice Geral de Preços do Mercado
As expectativas para o IGP-M, importante indicador de inflação que captura variações de preços no atacado, construção civil e consumidor, apresentam trajetória de relativa estabilidade com ligeiras oscilações. Para 2026, a mediana das projeções situa-se em 3,92% ao ano, com pequena redução em relação às 3,99% projetadas há quatro semanas, mantendo-se estável há uma semana. Este indicador conta com 72 respondentes no total e 24 atualizações nos últimos cinco dias úteis, representando um patamar inferior ao IPCA, o que sugere pressões inflacionárias relativamente mais contidas no atacado.
Para 2027, as expectativas mantêm-se em 4,00% ao ano, sem alterações há cinquenta e três semanas consecutivas, com 65 respondentes e 23 contribuições recentes. Esta estabilidade prolongada indica consenso robusto entre os analistas sobre a dinâmica deste índice no médio prazo. Para 2028, a projeção situa-se em 3,85% ao ano, estável há sete semanas, com 59 respondentes, sugerindo expectativa de moderação adicional nas pressões inflacionárias medidas por este indicador.
Para 2029, as expectativas apontam para 3,70% ao ano, com leve redução em relação à semana anterior, estável há uma semana, contando com 54 respondentes. Esta trajetória descendente ao longo dos anos reflete expectativas de normalização gradual do ambiente de preços na economia brasileira.
Analisando as projeções mensais de curto prazo, para janeiro de 2026 espera-se variação de 0,30% no IGP-M, com redução há duas semanas consecutivas em relação aos 0,33% anteriormente projetados, contando com 67 respondentes. Para fevereiro, a expectativa é de 0,31% de variação, estável há uma semana, também com 67 respondentes. Março deve apresentar alta de 0,34%, sem alterações há uma semana, igualmente com 67 respondentes. A inflação acumulada em doze meses suavizada está projetada em 3,97%, apresentando alta em relação à semana anterior, com 60 respondentes acompanhando este indicador.
Em síntese, o Boletim Focus de 16 de janeiro de 2026 retrata um cenário macroeconômico desafiador, com inflação persistentemente acima da meta exigindo manutenção de política monetária restritiva, crescimento econômico modesto, câmbio depreciado e expectativas de normalização gradual apenas no médio e longo prazo. A estabilidade de muitas projeções ao longo de várias semanas sugere consenso consolidado entre os analistas, embora ajustes pontuais indiquem monitoramento constante da evolução dos indicadores econômicos.