O que o último Boletim Focus Projeta para o Brasil
O Boletim Focus de 9 de fevereiro de 2026 reforça um cenário de transição para a economia brasileira. Em 2026, a inflação segue acima da meta, enquanto o PIB avança modestamente. O câmbio mantém estabilidade, e a Selic permanece elevada, com cortes esperados apenas a partir de 2027. O IGP-M acompanha a trajetória do IPCA, com desaceleração gradual. Para os anos seguintes, as projeções sugerem uma convergência mais clara às metas de inflação e uma recuperação econômica lenta, porém sustentável, desde que os desafios fiscais e externos sejam equacionados.
IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo)
O IPCA, índice oficial que mede a inflação no Brasil, apresenta projeções relevantes para os anos de 2026 e 2027. Para 2026, a expectativa é de uma variação de 4,55%, um recuo em relação à previsão anterior de 4,57%, conforme indicado por ▼(1). Esse comportamento reflete pressões inflacionárias ainda presentes na economia, especialmente nos preços administrados, cuja variação projetada para 2026 caiu para 4,76%, um recuo em relação à previsão anterior de 4,78%, conforme indicado por ▼(1). Já para 2027, a expectativa é de estabilidade, com o IPCA projetado em 4,58%, uma redução em relação à previsão anterior de 4,60%, conforme indicado por ▼(1). Nos meses iniciais de 2026, as projeções mensais mostram moderação, com variações de 0,35% em janeiro e 0,31% em fevereiro. A inflação acumulada nos últimos 12 meses apresenta sinais de desaceleração, caindo de 4,57% para 4,55% até março de 2026.
PIB (Produto Interno Bruto)
As projeções para o PIB brasileiro indicam um crescimento positivo para os próximos anos. Para 2026, a mediana das expectativas aponta para um crescimento de 1,70% em relação ao ano anterior, sem alterações significativas em relação à previsão anterior, conforme indicado por (1). Esse cenário sugere uma leve melhora na atividade econômica, influenciada por políticas fiscais mais equilibradas e uma demanda interna mais resiliente. Para 2027, a expectativa é de um crescimento ainda mais robusto, com o PIB variando 2,00% sobre o ano anterior, um aumento em relação à previsão anterior de 1,90%, conforme indicado por ▲(1). Nos anos seguintes, as projeções indicam uma recuperação gradual, mas ainda insuficiente para retornar a patamares mais robustos de expansão econômica, com variações projetadas de 2,00% tanto para 2028 quanto para 2029.
Câmbio (R$/US$)
O mercado projeta estabilidade no câmbio para os próximos anos. Para 2026, a taxa de câmbio é esperada em R$ 5,90 por dólar, refletindo leve valorização do real em relação à previsão anterior de R$ 5,95, conforme indicado por ▼(1). Para 2027, a expectativa é de estabilidade em R$ 5,90 por dólar, com tendência de equilíbrio entre oferta e demanda por moeda estrangeira. No curto prazo, a projeção para janeiro de 2026 indica uma taxa de R$ 5,85, com tendência de estabilidade nos meses subsequentes.
Selic (Taxa Básica de Juros)
A Selic, principal instrumento de política monetária do Banco Central, permanece em níveis elevados para conter as pressões inflacionárias. Para 2026, a mediana das expectativas indica que a Selic permanecerá em 12,50% ao ano, sem alterações significativas nas últimas semanas, conforme indicado por (18). Para 2027, a expectativa de corte gradual segue em 10,00% ao ano, com perspectiva de redução para 8,00% até 2028. Nos meses iniciais de 2026, a Selic mantém-se estável em 12,25% ao ano, sem alterações nas últimas semanas.
IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado)
O IGP-M, amplamente utilizado no reajuste de contratos, também apresenta projeções relevantes. Para 2026, a expectativa é de uma variação de 4,78%, um recuo em relação à previsão anterior de 4,80%, conforme indicado por ▼(1). Para 2027, a projeção é de estabilidade, com o índice variando 4,68%, um aumento em relação à previsão anterior de 4,70%, conforme indicado por ▲(1). Nos meses iniciais de 2026, as projeções mensais mostram estabilidade, com variações de 0,02% em janeiro e 0,38% em fevereiro. A inflação acumulada nos últimos 12 meses também apresenta sinais de moderação, com uma alta de 5,26% para 5,28% até março de 2026.
Resultado Nominal (% do PIB)
O resultado nominal do governo federal, expresso como percentual do PIB, também foi atualizado. Para 2026, a expectativa é de um déficit de -8,40% do PIB, uma queda em relação à previsão anterior de -8,45%, conforme indicado por ▼(1). Para 2027, a projeção é de um déficit menor, com -8,30% do PIB, um aumento em relação à previsão anterior de -8,35%, conforme indicado por ▲(1). Esses números refletem esforços contínuos para controlar as despesas públicas e melhorar a sustentabilidade fiscal.
Conclusão
Essa análise detalhada dos principais indicadores econômicos revela um cenário de ajustes graduais, com desafios no curto prazo, mas perspectivas de estabilização nos anos seguintes. Apesar das pressões inflacionárias e do crescimento econômico modesto, as projeções para 2027 e anos subsequentes sinalizam moderação da inflação e redução gradual da Selic, sugerindo um horizonte de maior estabilidade. O equilíbrio cambial e a convergência do IGP-M ao IPCA reforçam a expectativa de normalização dos indicadores econômicos. Além disso, o resultado nominal do governo mostra avanços na gestão fiscal, embora ainda haja espaço para melhorias significativas.
Mais detalhes sobre o Boletim Focus
IPCA – Inflação ao Consumidor
As expectativas para o IPCA demonstram uma trajetória de convergência gradual em direção à meta de inflação estabelecida pelo Banco Central. Para 2026, a mediana das projeções está em 3,97% ao ano, apresentando uma leve queda de cinco pontos-base em relação à semana anterior, com 155 respondentes participando da pesquisa nos últimos trinta dias. Este movimento descendente sugere que o mercado está ligeiramente mais otimista quanto ao controle inflacionário no curto prazo.
Observando a evolução mensal, janeiro de 2026 registrou expectativa de 0,33% após duas semanas consecutivas de queda, enquanto fevereiro apresenta projeção de 0,50%, também em trajetória descendente há duas semanas. Para março, a expectativa se mantém estável em 0,34% há duas semanas. A inflação acumulada em doze meses com suavização está projetada em 3,97%, mostrando três semanas consecutivas de redução nas expectativas.
Para 2027, as projeções apontam IPCA de 3,80% ao ano, mantendo-se estável há catorze semanas, com participação de 143 respondentes. Este patamar sugere que o mercado espera consolidação do processo desinflacionário no médio prazo. Em 2028, a expectativa permanece em 3,50%, também estável há catorze semanas com 115 respondentes, enquanto para 2029 a projeção se mantém igualmente em 3,50%, estável há vinte e três semanas com 109 participantes.
Quanto ao IPCA Administrados, componente importante da inflação geral, as expectativas para 2026 estão em 3,69%, com queda de dois pontos-base na última semana e 101 respondentes. Para 2027, a projeção é de 3,71%, estável há cinco semanas, enquanto 2028 e 2029 apresentam expectativas de 3,50%, sendo que 2029 mostra estabilidade há trinta semanas, indicando forte consenso do mercado sobre este componente inflacionário.
PIB – Crescimento Econômico
As projeções para o Produto Interno Bruto revelam expectativas modestas de crescimento econômico. Para 2026, o mercado projeta expansão de 1,80% em relação ao ano anterior, mantendo-se estável há nove semanas com 118 respondentes. Este patamar reflete perspectivas conservadoras quanto ao dinamismo da atividade econômica no curto prazo, possivelmente influenciadas por fatores como política monetária restritiva e incertezas fiscais.
Para 2027, a expectativa também se mantém em 1,80%, estável há seis semanas com 92 participantes, sugerindo que o mercado não antecipa aceleração significativa do crescimento no horizonte de médio prazo. Interessantemente, para 2028 e 2029, as projeções sobem para 2,00%, com 2028 estável há cem semanas e 2029 há quarenta e sete semanas. Esta elevação gradual pode indicar expectativas de que reformas estruturais e ajustes macroeconômicos permitam crescimento ligeiramente superior no longo prazo, embora ainda abaixo do potencial histórico da economia brasileira.
Câmbio – Taxa de Conversão Real/Dólar
As expectativas cambiais mostram relativa estabilidade com ligeiras variações. Para o final de 2026, a mediana projeta taxa de câmbio de R$ 5,50 por dólar, com queda de dezessete pontos-base na última semana e 132 respondentes. Esta projeção sugere expectativa de depreciação moderada do real em relação aos níveis atuais, refletindo fatores como diferencial de juros, fluxo de capitais e percepção de risco.
Observando a evolução mensal, janeiro de 2026 apresentou taxa efetiva de R$ 5,43, enquanto fevereiro projeta R$ 5,31 após quatro semanas consecutivas de queda nas expectativas, e março aponta para R$ 5,35 com uma semana de redução. Estes dados sugerem expectativa de apreciação do real no curtíssimo prazo, possivelmente relacionada a fatores sazonais ou fluxos de comércio exterior.
Para 2027, a projeção se mantém em R$ 5,50, estável há uma semana com 126 respondentes. Em 2028, a expectativa é de R$ 5,50, com leve queda de um ponto-base, enquanto para 2029 o mercado projeta R$ 5,57, também estável há uma semana. Esta trajetória sugere que o mercado antecipa depreciação gradual e limitada do real no horizonte de longo prazo, compatível com fundamentos macroeconômicos e diferenciais de inflação entre Brasil e Estados Unidos.
SELIC – Taxa Básica de Juros
As expectativas para a taxa Selic revelam cenário de política monetária contracionista no curto prazo com gradual flexibilização posterior. Para o final de 2026, a mediana projeta Selic de 12,25% ao ano, mantendo-se estável há sete semanas com 153 respondentes. Este patamar elevado reflete a necessidade percebida pelo mercado de manutenção de juros restritivos para controle inflacionário e ancoragem de expectativas.
A evolução mensal mostra janeiro de 2026 com Selic efetiva de 15,00%, enquanto março projeta 14,50%, estável há dezenove semanas. Esta trajetória indica expectativa de que o Banco Central mantenha juros elevados no primeiro trimestre antes de iniciar eventual ciclo de cortes.
Para 2027, as projeções apontam Selic de 10,50% ao ano, estável há cinquenta e duas semanas com 140 respondentes, sugerindo forte consenso sobre redução significativa dos juros ao longo do ano. Em 2028, a expectativa é de 10,00%, com leve alta de três pontos-base, enquanto para 2029 o mercado projeta 9,50%, estável há quinze semanas. Esta trajetória descendente reflete expectativas de normalização gradual da política monetária à medida que a inflação converge para a meta e riscos fiscais sejam mitigados.
IGP-M – Índice Geral de Preços do Mercado
O IGP-M, importante indicador de inflação que captura variações de preços no atacado, construção civil e consumidor, apresenta expectativas relativamente alinhadas com o IPCA. Para 2026, a mediana projeta variação de 3,90%, com queda de um ponto-base na última semana e 72 respondentes. Este patamar sugere pressões inflacionárias moderadas no segmento de preços ao produtor.
A evolução mensal mostra janeiro de 2026 com variação de 0,31%, fevereiro com 0,27% após três semanas consecutivas de queda nas expectativas, e março com 0,34%, estável há quatro semanas. A inflação acumulada em doze meses com suavização está em 3,91%, apresentando alta de um ponto-base na última semana.
Para 2027, as expectativas apontam IGP-M de 3,99%, com queda de um ponto-base, enquanto 2028 projeta 3,85%, estável há dez semanas. Para 2029, a mediana está em 3,70%, com leve queda de um ponto-base e 56 respondentes. Esta trajetória descendente no longo prazo sugere expectativas de arrefecimento gradual das pressões inflacionárias no atacado, possivelmente relacionadas à normalização de cadeias produtivas e estabilização de commodities.
Em síntese, o Boletim Focus de 6 de fevereiro de 2026 revela expectativas de inflação convergindo gradualmente para a meta, crescimento econômico modesto, câmbio relativamente estável com leve depreciação, juros elevados no curto prazo com flexibilização posterior, e pressões inflacionárias no atacado também em trajetória descendente. Este conjunto de projeções reflete um cenário macroeconômico de ajuste gradual, onde a política monetária restritiva busca consolidar o controle inflacionário enquanto a economia cresce abaixo de seu potencial.