O que o último Boletim Focus Projeta para o Brasil:
O Boletim Focus de 21 de agosto de 2026 mostra um cenário de estabilização nas expectativas de curto prazo para a inflação brasileira, com o IPCA e a Selic mantendo-se estáveis nas últimas semanas. O IGP-M continua sua trajetória de queda nas projeções, indicando alívio nos preços por atacado. Por outro lado, o PIB de 2026 e 2027 sofreu novas revisões para baixo ou estabilização em patamares mais modestos, refletindo maior cautela com o crescimento diante do aperto monetário prolongado. O câmbio mantém relativa estabilidade. Para os anos seguintes, as projeções sugerem que a convergência às metas de inflação continuará sendo um processo lento, dependente de um cenário fiscal mais favorável e de uma política monetária que, embora restritiva, já começa a vislumbrar um ciclo de afrouxamento gradual.
IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo)
O IPCA, índice oficial que mede a inflação no Brasil, apresenta projeções relevantes para os anos de 2026 e 2027. Para 2026, a expectativa é de uma variação de 5,02%, sem alterações significativas em relação à previsão anterior, conforme indicado por (2). Esse comportamento reflete pressões inflacionárias ainda presentes na economia, especialmente nos preços administrados, cuja variação projetada para 2026 caiu para 4,69%, um recuo em relação à previsão anterior de 4,70%, conforme indicado por ▼(4). Já para 2027, a expectativa é de estabilidade, com o IPCA projetado em 4,25%, um aumento em relação à previsão anterior de 4,24%, conforme indicado por ▲(2). Nos meses de meados de 2026, as projeções mensais mostram moderação, com variações de -0,18% em agosto, 0,52% em setembro e 0,33% em outubro. A inflação acumulada nos últimos 12 meses apresenta sinais de aceleração, com a inflação de 12 meses suavizada projetada em 4,42% até outubro de 2026.
PIB (Produto Interno Bruto)
As projeções para o PIB brasileiro indicam um crescimento positivo para os próximos anos. Para 2026, a mediana das expectativas aponta para um crescimento de 1,95% em relação ao ano anterior, um recuo em relação à previsão anterior de 1,98%, conforme indicado por ▼(1). Esse cenário sugere uma leve melhora na atividade econômica, influenciada por políticas fiscais mais equilibradas e uma demanda interna mais resiliente. Para 2027, a expectativa é de um crescimento de 1,50% sobre o ano anterior, sem alterações significativas em relação à previsão anterior, conforme indicado por (1). Nos anos seguintes, as projeções indicam uma recuperação gradual, com variações projetadas de 1,98% para 2028 e 2,00% para 2029.
Câmbio (R$/US$)
O mercado projeta estabilidade no câmbio para os próximos anos. Para 2026, a taxa de câmbio é esperada em R$ 5,20 por dólar, sem alterações significativas em relação à previsão anterior, conforme indicado por (10). Para 2027, a expectativa é de R$ 5,30 por dólar, um aumento em relação à previsão anterior de R$ 5,29, conforme indicado por ▲(2). No curto prazo, a projeção para agosto de 2026 indica uma taxa de R$ 5,15, com tendência de estabilidade nos meses subsequentes (R$ 5,18 em setembro e R$ 5,20 em outubro).
Selic (Taxa Básica de Juros)
A Selic, principal instrumento de política monetária do Banco Central, permanece em níveis elevados para conter as pressões inflacionárias. Para 2026, a mediana das expectativas indica que a Selic permanecerá em 13,75% ao ano, sem alterações significativas nas últimas semanas, conforme indicado por (3). Para 2027, a expectativa de corte gradual segue em 12,00% ao ano, sem alterações significativas, conforme indicado por (10). Nos meses de meados de 2026, a Selic mantém-se estável em 14,00% ao ano para agosto, com projeção de 13,75% ao ano para setembro.
IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado)
O IGP-M, amplamente utilizado no reajuste de contratos, também apresenta projeções relevantes. Para 2026, a expectativa é de uma variação de 4,55%, um recuo em relação à previsão anterior de 4,71%, conforme indicado por ▼(1). Para 2027, a projeção é de estabilidade, com o índice variando 4,09%, um recuo em relação à previsão anterior de 4,10%, conforme indicado por ▼(3). Nos meses de meados de 2026, as projeções mensais mostram estabilidade, com variações de 0,12% em agosto, 0,56% em setembro e 0,56% em outubro. A inflação acumulada nos últimos 12 meses também apresenta sinais de moderação, com uma alta projetada de 4,84% até outubro de 2026.
Resultado Nominal (% do PIB)
O resultado nominal do governo federal, expresso como percentual do PIB, também foi atualizado. Para 2026, a expectativa é de um déficit de -8,79% do PIB, uma queda (piora) em relação à previsão anterior de -8,70%, conforme indicado por ▼(1). Para 2027, a projeção é de um déficit menor, com -8,30% do PIB, uma queda em relação à previsão anterior de -8,20%, conforme indicado por ▼(2). Para 2028, a projeção é de um déficit de -7,70% do PIB. Esses números refletem os desafios contínuos para controlar as despesas públicas e melhorar a sustentabilidade fiscal.
Conclusão
Essa análise detalhada dos principais indicadores econômicos revela um cenário de ajustes graduais, com desafios no curto prazo, mas perspectivas de estabilização nos anos seguintes. Apesar das pressões inflacionárias e do crescimento econômico modesto, as projeções para 2027 e anos subsequentes sinalizam moderação da inflação e redução gradual da Selic, sugerindo um horizonte de maior estabilidade. O equilíbrio cambial e a convergência do IGP-M ao IPCA reforçam a expectativa de normalização dos indicadores econômicos. Além disso, o resultado nominal do governo mostra desafios na gestão fiscal, exigindo esforços contínuos para melhorias significativas. A persistência da alta nos preços administrados requer atenção especial das autoridades para evitar que impacte negativamente a trajetória de convergência da inflação para a meta.
Mais detalhes sobre o Boletim Focus
O Relatório Focus de Mercado divulgado pelo Banco Central do Brasil com data de referência de 21 de agosto de 2026 reúne as medianas das expectativas de mercado coletadas junto a instituições financeiras e analistas para os principais indicadores macroeconômicos. A pesquisa contempla projeções para o ano corrente e os três anos seguintes, permitindo acompanhar a evolução das estimativas ao longo do tempo, o comportamento semanal (aumento, diminuição ou estabilidade) e o número de respondentes. Neste documento, as medianas atuais são confrontadas com aquelas registradas há uma semana e há quatro semanas, com destaque para os cinco indicadores solicitados: IPCA, PIB, câmbio, Selic e IGP-M.
No que se refere ao IPCA, a mediana das projeções para 2026 permaneceu em 5,02 por cento, estável em relação à semana imediatamente anterior e abaixo dos 5,12 por cento observados há quatro semanas. O número de respondentes chegou a 148, indicando ampla cobertura da pesquisa. Essa estabilidade na estimativa para o ano corrente ocorre em um contexto em que a inflação acumulada em doze meses se aproxima da banda superior da meta, mas ainda permanece acima do centro da trajetória perseguida pela autoridade monetária. Para 2027, a mediana subiu de 4,24 por cento na semana anterior para 4,25 por cento, após ter registrado 4,22 por cento há quatro semanas, também com 148 respondentes. O leve aumento nas expectativas para o próximo ano sugere que o processo de desinflação é percebido como um pouco mais lento do que o antecipado anteriormente. Em 2028 a projeção ficou estável em 3,80 por cento, com 120 respondentes, e para 2029 a mediana se manteve em 3,50 por cento pela quinquagésima primeira semana consecutiva, com 112 instituições participando. A trajetória decrescente das projeções de IPCA ao longo do horizonte de quatro anos indica que o mercado continua a incorporar a convergência gradual da inflação em direção à meta de 3 por cento, ainda que os níveis de 2026 e 2027 permaneçam acima do centro da banda de tolerância.
Quanto ao PIB total, a mediana das expectativas para o crescimento em 2026 foi revisada para baixo, passando de 1,98 por cento na semana anterior para 1,95 por cento, após ter atingido 1,99 por cento há quatro semanas. O número de respondentes ficou em 115. Essa redução aponta para uma percepção de desaceleração da atividade econômica no ano corrente, possivelmente associada aos efeitos defasados da política monetária ainda restritiva e a um ambiente de juros reais elevados. Para 2027 a projeção se manteve em 1,50 por cento, estável em relação à semana anterior e inferior aos 1,60 por cento de quatro semanas atrás, com 114 respondentes. Em 2028 a mediana avançou para 1,98 por cento, recuperando-se de 1,89 por cento na semana anterior e aproximando-se dos 2,00 por cento de quatro semanas antes, com 82 instituições respondendo. Já para 2029 a expectativa permanece estável em 2,00 por cento, com 77 respondentes. A sequência de projeções revela uma recuperação gradual do ritmo de expansão da economia a partir de 2028, após um 2026 e 2027 de crescimento mais moderado.
No mercado de câmbio, a mediana para a taxa de câmbio ao final de 2026 continuou em R$ 5,20 pela décima semana consecutiva, estável tanto em relação à semana anterior quanto às quatro semanas anteriores, com 117 respondentes. A estabilidade prolongada dessa estimativa sugere que o mercado não antecipa grandes movimentos cambiais no curto prazo, apesar da volatilidade observada em períodos recentes. Para 2027 a projeção subiu de R$ 5,29 para R$ 5,30, com o mesmo número de respondentes, indicando uma leve depreciação esperada da moeda nacional no próximo ano. Em 2028 a mediana permaneceu em R$ 5,30, estável, com 83 respondentes, e para 2029 a expectativa ficou em R$ 5,36, praticamente inalterada em relação às semanas anteriores e com 77 instituições participando. A trajetória do câmbio projetada mostra uma estabilização em torno de R$ 5,20 a R$ 5,30 nos próximos dois anos, seguida de uma leve depreciação adicional no horizonte mais longo.
A taxa Selic ao final de cada ano também apresenta um perfil de gradual afrouxamento. Para 2026 a mediana se manteve em 13,75 por cento ao ano, estável em relação à semana anterior e abaixo dos 14,00 por cento de quatro semanas atrás, com 145 respondentes. Essa projeção embute a expectativa de pelo menos mais um corte na taxa básica ainda no ano corrente, considerando o nível vigente de 14,00 por cento após a decisão do Copom no início de agosto. Para 2027 a mediana permaneceu em 12,00 por cento, estável há várias semanas, com 142 respondentes. Em 2028 a expectativa ficou em 10,50 por cento, igualmente estável e com 116 instituições respondendo, enquanto para 2029 a mediana se manteve em 10,00 por cento, com 110 respondentes. A curva de juros projetada pelo mercado aponta para um ciclo de afrouxamento monetário que se estende até 2029, com a Selic convergindo gradualmente para um patamar neutro mais próximo de dois dígitos, embora ainda elevado em termos históricos.
Por fim, o IGP-M exibiu revisões predominantemente para baixo em todos os horizontes. Em 2026 a mediana recuou de 4,71 por cento na semana anterior para 4,55 por cento, após ter registrado 5,42 por cento há quatro semanas, com 63 respondentes. A redução significativa em relação ao mês anterior reflete a expectativa de desaceleração dos preços no atacado e de componentes mais voláteis que compõem o índice. Para 2027 a projeção caiu para 4,09 por cento, proveniente de 4,10 por cento na semana anterior e de 4,16 por cento quatro semanas antes, com 58 respondentes. Em 2028 a mediana ficou em torno de 3,92 por cento, também em trajetória de queda, com 52 respondentes, e para 2029 a expectativa recuou para aproximadamente 3,83 por cento, com 48 instituições participando. A convergência das projeções de IGP-M para níveis próximos ou abaixo de 4 por cento no médio prazo reforça a percepção de que as pressões de custos e de preços no atacado devem se moderar ao longo dos próximos anos.
De forma geral, o Relatório Focus de 21 de agosto de 2026 mostra um cenário de inflação ainda elevada em 2026, porém em gradual desaceleração, crescimento do PIB mais fraco no curto prazo com recuperação moderada a partir de 2028, câmbio relativamente estável, e uma trajetória de juros em declínio consistente com a expectativa de convergência da inflação. As revisões mais relevantes da semana concentraram-se na redução da estimativa de crescimento do PIB para o ano corrente e no leve aumento da projeção de IPCA para 2027, enquanto os demais indicadores apresentaram estabilidade ou movimentos de pequena magnitude. O número elevado de respondentes para os principais indicadores confere robustez às medianas, permitindo que o relatório continue a servir como referência importante para o acompanhamento das expectativas de mercado e para a calibração da política monetária.